Choque Relativo
António Perez Metelo
In Dn 21/07/06
Enquanto a economia não transpira força e capacidade criadora, investidores e consumidores, acossados por cada nova crise político-militar regional, vivem com o credo na boca. Enquanto os fundamentos económicos permanecerem frágeis nas suas bases de sustentação internas, qualquer vento de volatilidade monetária, comercial ou financeira parece abalar as bases periclitantes de uma ténue retoma.
O teatro de horrores da escalada de preços das matérias-primas, em particular do petróleo, causa novos calafrios aos cronistas do andamento das bolsas, sempre que um novo máximo dito histórico é ultrapassado.
Mas o impacto na economia de acontecimentos trágicos, como aquele que se vive actualmente no Médio Oriente, acaba por ser bem menor do que aquilo que, à primeira vista, pode aparentar. Desde logo, porque efeitos pesados, como a travagem continuada do crescimento do produto, só se dão com variações de preços igualmente pesadas, quando se prolongam no tempo. Em seguida, o aprovisionamento faz-se de forma bem menos agitada, o que tem permitido adquirir o petróleo, por exemplo, ao longo do primeiro semestre deste ano, a um preço médio de 61,5 dólares por barril, enquanto a sua cotação média se situou nos 64,7 dólares.
E, finalmente, ao impacto destas subidas não é indiferente a dimensão da economia que pressionam. O preço do barril de brent tem de ser relativizado pela progressão do PIB. Calculado esse preço relativo, constata-se que, face ao índice 100 para 1979, o ano do segundo e maior choque petrolífero, o valor correspondente tinha caído para 28,4 dólares, em 2003. A partir daí, os valores passam para 33,4, em 2004, 44,7, em 2005 e, finalmente, 53,9 dólares, na primeira metade de 2006. O que terá refreado em meio ponto percentual a expansão do produto, mas está longe de constituir-se como o seu maior constrangimento.
Acção vai ser mais dirigida à inovação
In Dn 20/07/06
A inovação será uma área de aposta nos próximos tempos do Plano Tecnológico, estando em preparação algumas das medidas nesse campo, disse ontem Carlos Zorrinho, coordenador da iniciativa, à saída da reunião do conselho consultivo. Das 50 medidas que o Plano Tecnológico integra dedicadas à inovação, apenas 72% (36 medidas) estão em execução ou concluídas, estando 14 em preparação.
Em preparação estão ainda sete medidas no eixo da tecnologia (que integra um total de 24 medidas) e três no eixo do conhecimento (um total de 38 medidas). Este último é, pois, o eixo onde os trabalhos estão mais avançados, com 92,1% das medidas em execução ou concluídas.
Carlos Zorrinho salientou que o objectivo do Plano Tecnológico é ter sempre medidas em preparação. Do total das 112 medidas que o plano incorpora 79% estão em execução ou concluídas. O coordenador desse plano acrescenta que a maioria das medidas que estão em preparação aguardam pelo novo quadro comunitário de apoio, designado agora de QREN (Quadro de Referência da Estratégia Nacional). Para Carlos Zorrinho, “o nível de execução é muito elevado”, o que “só foi possível porque toda a sociedade civil tornou esta agenda como a sua agenda”.
Rocha de Matos, presidente da AIP, declarou ao DN que parece ser intenção de José Sócrates haver uma acção mais dirigida às empresas. “Até agora, o plano tem sido mais um plano de natureza de administração, em várias áreas”, comentou Rocha de Matos. Há 800 grandes empresas em Portugal e 360 mil micro, pequenas e médias empresas que são responsáveis por 76% do emprego e 70% do volume de negócios. “Temos de fazer uma aposta clara no upgrading destas empresas, redimensioná-las, reestruturá-las, introduzir capital, mas também gestão mais qualificada, de tal maneira que se possa desenvolver, redimensionar e atacar os mercados internacionais”, declarou Rocha de Matos. O conselho consultivo deverá voltar a reunir-se para uma reunião de reflexão estratégica.
Zorrinho garantiu, por outro lado, que em breve será assinado o protocolo definido com o MIT.
Nota: Somente com uma melhoria substancial dos quadros qualificados nas PME´s poderemos ambicionar a elaboração de estratégias mais inovadoras para as PME´s.
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