A hora da Industría

Por António Perez Metelo

In Dn 03-07-06

“Não é só de agora. Há muito tempo que se ouve anunciar o fim irreversível da indústria no nosso país. O futuro espreitaria nos serviços, em particular no turismo. Esta maneira comum de pensar alimenta-se dos sucessivos fechos mediáticos de unidades fabris com o seu cortejo de dramas sociais e a imagem de impotência perante poderes mais altos que escapam à acção regeneradora de investidores ou de decisores políticos nacionais.”

“Mas, para não fugir à regra, a morte anunciada da indústria em Portugal arrisca-se a ser prematura. Em termos de fotografia instantânea, a produção industrial regista um salto muito expressivo no passado mês de Maio, ao crescer 6,8% face aos valores de Maio de 2005. A progressão regista-se em todos os agrupamentos industriais: energia, bens intermédios, de consumo e de investimento, em clara resposta a um aumento da procura dirigida às empresas do sector do nosso país, que já vinha sendo detectada nos indicadores económicos desde o princípio deste ano.”

“Os agrupamentos industriais que alardeiam uma maior expansão são os sectores dos bens intermédios, com um índice 116,8, e da energia, com 111,9. Ao cabo de cinco anos e meio! Já os bens de consumo e de investimento andam entre os índices 86 e 92, o que faz com que em termos globais, mesmo com a recuperação do último trimestre, a indústria produza um valor inferior em 9% ao atingido no início do milénio.”

“Não vale a pena, pois, cantar vitórias prematuras. Só um forte investimento em novos projectos de mais alto valor acrescentado permitirá projectar as fábricas no país para um futuro menos ameaçador.”

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