Comercialização tecnológica
July 19, 2006 by Inovação & Marketing
Filed under Artigo de Opinião
In Dn 19/07/06
João Carvalho das Neves
Professor catedrático, Departamento de Gestão, ISEG
A investigação científica em Porugal neste quarto de século aumentou em Portugal de 0,3% do PIB para cerca de 0,8% do PIB. O reforço das verbas para a ciência pelo Governo de Sócrates pretende que se alcance o famigerado 1% do PIB quando a União Europeia está em média a gastar 1,93%, sendo que o objectivo europeu proposto pela Estratégia de Lisboa era que, em 2010, a União Europeia estivesse a investir 3% do PIB em I&D.
Enquanto os políticos na União Europeia discutem a quantificação da investigação nos EUA, a generalidade dos estados e das universidades passaram já a outro paradigma, que é o da comercialização da tecnologia. Se pesquisar no Google por “commercialization of technology” descobrirá que alguns estados americanos em vez de financiarem a investigação preferem apoiar a comercialização da tecnologia. Trata-se de verdadeiras redes de comercialização de tecnologia que passa pelo governo federal, pelos governos estaduais, pelos municípios, por empresas e por universidades.
As universidades estão cada vez mais a desenvolver networks e partnerships entre os seus centros de inovação e tecnologia das escolas tecnológicas com as suas business schools, no sentido de contribuírem para o sucesso de start-ups tecnológicos a partir da universidade. Para isso oferecem um conjunto de serviços para os alunos e professores que queiram enveredar por essa via. Há incubadoras, empresas especializadas no apoio à comercialização das ideias inovadoras. Assim, o sucesso da universidade começa a medir-se também pelo número de projectos colocados no mercado e pelo seu valor de facturação ou licenciamento.
Em Portugal, há quem continue a procurar medir o sucesso por métodos puramente estáticos e mesmo sem muita relação com o desenvolvimento. Será que o número de artigos publicados pelos professores em revistas internacionais é uma métrica adequada para medir o sucesso da investigação? Não haverá outras? Então e o número de patentes comercializadas? E os modelos com aplicação directa nas empresas?
Veja-se que as exigências de publicação internacional que algumas universidades estão a colocar para o progresso na carreira de professor universitário (onde muitos dos catedráticos que estabelecem as regras não cumprem com essa exigência) pode levar a que um dia destes um docente altamente respeitado na indústria pela sua actividade, pelas suas inovações comercializadas no mercado e com patentes registadas venha a ser rejeitado pelos seus pares de universidade pelo simples facto de não ter artigos publicados em revistas internacionais que esses pares entendem fundamentais. A questão que coloco é se queremos um país e uma universidade de gente que crie riqueza e põe a mão na massa ou um país de investigadores-poetas.
PS: Excelente artigo de opinião que põe o dedo na ferida ao nível da falta de parcerias entre o mundo universitário e de investigação e o mundo empresarial.






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