Portugal ‘tem de perder a vergonha’ de ser genuíno
July 20, 2006 by Inovação & Marketing
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In Dn 19/07/06
Tradição, hospitalidade, diversidade ambiental e pequena dimensão geográfica são algumas das vantagens competitivas de que Portugal dispõe na área turística e que tem de aprender a explorar devidamente. Quem o diz é Edson Athayde, especialista em marketing e publicidade, que considera que o País precisa de criar uma imagem consistente no mundo e, sobretudo, de dizer ao turista aquilo que ele quer ouvir.
Coube a Edson Athayde fazer uma análise das campanhas promocionais do turismo português na 3.ª Conferência Internacional em Hotelaria e Turismo, subordinada ao tema “Promoção e Branding dos Destinos Turísticos”. Considerando que “a imagem de um país já tem de existir antes de ser criada”, este responsável defendeu que Portugal precisa de aprender a comunicar “o que tem de diferenciador e que atrai os turistas”, deixando de ter vergonha de se assumir como “um país pequeno, hospitaleiro, com boas praias e que preserva as tradições”.
A questão, sublinha Edson Athayde, é que ainda está “meio confuso” o que Portugal quer transmitir com as suas campanhas de turismo. “Se o turista gosta de viajar, ficar numa praia agradável onde vê uns pescadores pela manhã e está disposto a gastar alguns milhares de dólares para o fazer, porque não? Não é isso que vai transformar Portugal num país de pescadores”, defende. E acrescenta: “É verdade que incomoda as classes mais cultas, que têm dificuldades em conviver com essas caricaturas, mas é isso que vende um destino turístico. As pessoas que viajam para a Jamaica não querem saber se o país cresceu ou não economicamente. Vão atrás de praia, e é um dos destinos que mais crescem no mundo.”
Para Edson, o turismo é, em si, um tema suficientemente abrangente para ser tratado em exclusivo. “O país enquanto atractivo de investimento, pólo industrial, símbolo de modernidade, tecnologia, etc., é uma questão que um dia será realidade, mas, até lá, o turismo não precisa de ficar à espera”, defende. A Espanha, adianta, resolveu muito bem essa questão, na década de 90, construindo a marca da paixão. “E não se preocupou em potenciar um preconceito, um estereótipo, que o resto do planeta tinha em relação à sua história, cultura e presença, tal como a Grécia não se incomoda em se publicitar enquanto destino de ilhas muito interessantes e divertidas, com casinhas brancas e telhados azuis”, acrescenta.
Portugal deveria recorrer ao clima, hospitalidade, diversidade ambiental e mesmo dimensão geográfica, que permite conhecer muitas coisas em pouco tempo, diz. “Mas isso é tudo o que tem vergonha de dizer. Que é pequeno, que é bom para ir à praia… E por isso diz de forma envergonhada ou por meias palavras, e não tira o devido proveito”. Porque, “enquanto fica a meio caminho tentando inventar alguma coisa, ou se reinventar, o tempo vai passando e outros países e destinos vão encontrando a sua lógica”.
Nota: Turismo, um dos clusters estruturantes em que se deve apostar.
Oversell
July 20, 2006 by Inovação & Marketing
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July 20, 2006 by Inovação & Marketing
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Vem aí a retoma!
July 20, 2006 by Inovação & Marketing
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Por Sérgio Figueiredo
In Jornal de Negócios
Luís Afonso, que, sem uma única falha, nos faz companhia na página ao lado do editorial deste jornal há exactamente 798 dias, já podia publicar um livro com os diálogos das personagens SA, única e exclusivamente sobre a retoma.
Não falta imaginação ao melhor cartoonista da nossa imprensa, por estar sempre a bater no tema. Disse Alan Greenspan que é muito fácil «captar» a inversão do ciclo económico, visto que a última dos EUA foi anunciada por quatro vezes. A nossa também. A diferença é que, ao passo que a fase alta de crescimento americano já veio e está quase a ir embora, a nossa não.
Foi anunciada uma, duas, três, quatro vezes. Por um, dois, três governos diferentes. Mas não aconteceu. A recuperação nunca chegou de forma consistente, saudável e, menos ainda, vigorosa.
Por isso, o tema continua a dar largas à criatividade.
De cartoonistas. De analistas. De editorialistas. E de economistas que não têm como escapar ao exercício das previsões.
Volta a ser hoje o caso do cartoon de Luís Afonso. Porque foi o caso dos técnicos do departamento de estudos do Banco de Portugal, ontem. E é o caso deste texto, que, não obstante este calor abrasador, não deitará água fria sobre o anúncio que se repete: a retoma está a dar sinais de vida.~
Parece que sim. Esperamos que sim. Queremos que seja efectivamente assim. Portugal está a pagar erros cometidos pelos seus agentes económicos, com o Estado à cabeça. Portugal está há demasiado tempo a perder o jogo da globalização, sofrendo efeitos rápidos e drásticos no sector mais exposto à concorrência.
Temos a esperança que esta vez seja de vez, que o cenário do banco central se confirme, que os nossos exportadores iniciem a recuperação dos mercados que andam há cinco anos a perder, que os investidores deixem de puxar isto para baixo e que o Estado permaneça fora da retoma. É esse o perfil que salta das novas projecções.
As exportações ganham quota este ano e conservam-na no próximo. É pouco? É óptimo, porque os nossos bens e serviços já acumulavam uma perda de 16% desde o ano 2000, sobretudo na Alemanha e outros mercados «invadidos» pelo Leste.
O investimento cai menos este ano e, para o ano, deixará de dar um contributo negativo ao PIB. Frustrante? É bom, porque prenuncia o fim de um desinvestimento que anda, desde 2001, a puxar isto para baixo.
E o Estado, ao contrário da saída da recessão de 1993, não é desta vez protagonista, pois modera o seu consumo e trava o investimento público. Que assim continue, para que a retoma não seja um novo «embustex».
Em outros momentos, parecia que a economia já havia batido no fundo. Chegou-se a celebrar outros sinais animadores do sector exportador. E muitos julgámos que, a partir daí, só podia ser a subir. O facto é que a economia voltou ao charco.
Não em 2004, ano do Euro, em que fizemos uma festa com algum PIB e muitas bandeirinhas na rua. Sabendo de antemão que a festança teria de ser paga. Nada de original. A Grécia também paga com menos crescimento os seus Jogos Olímpicos.
Vítor Constâncio tem uma frase marcante, «não há dúvida que a situação está a melhorar». E sublinha mudanças importantes na estrutura: mais tecnologia exportada, menor peso dos sectores tradicionais. É mais encorajador que dez estádios e dezenas de voos de turistas ocasionais.
Há sempre duas formas de olhar para um crescimento médio anual de 1,4%, projectado até 2007: é um dos piores da Europa; é o nosso melhor desta década. Prefiro dizer que o Banco de Portugal está errado. E, na próxima, volta a rever previsões em alta.
“Big Bombo” Table
July 20, 2006 by Inovação & Marketing
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