Redes

September 1, 2006 by Inovação & Marketing  
Filed under Artigo de Opinião

Uma das condições mais essenciais à competitividade e à coesão social de um país é a sua capacidade de cooperação em rede.

Por Luís Valadares Tavares In Diário Económico

Os últimos dias ilustram bem uma das características mais específicas da nossa época: a prevalência do conceito de rede.Para o bem e para o mal.

Na verdade, as principais fontes de destruição alicerçam-se em redes apostadas na eliminação do valor através dos atentados terroristas enquanto que a prosperidade social e económica também se baseia na cooperação em rede entre actores dedicados à criação do valor, tal como foi bem exemplificado na recente visita do nosso Governo ao Brasil.

É, pois, evidente, que uma das condições mais essenciais à competitividade e à coesão social de um país é a sua capacidade de cooperação em rede.

No domínio económico, tive o gosto de orientar a tese de doutoramento no IST em Engenharia de Sistemas do prof. Luís Miguel Ferreira da Universidade de Aveiro em que se analisa a génese, a morfologia e as patologias das redes das nossas empresas, concluindo que o habitual incentivo da utilização de subsídios estatais acaba por ter potencialidades muito reduzidas ou mesmo negativas, devendo preferir-se a estruturação em rede baseada no ganho de sinergias e de vantagens cooperativas, o que exige climas de confiança, raros e efémeros em Portugal.

Esta verificação é especialmente oportuna no momento em que se aprova o novo quadro comunitário de apoio, agora designado por Quadro de Referência Estratégico Nacional, já que, urge repensar os apoios às Pequenas e Médias Empresas, de modo a evitar a cultura da subsidiação, mas bem pelo contrário, fomentar a cultura de cooperação, alavancando o desenvolvimento de novas linhas de exportação.

Esta dificuldade de cooperação não se restringe às empresas, sendo também evidente no sector social onde inúmeras organizações intervêm em sobreposição e na maior descoordenação, nos espaços mais carenciados, desde a pobreza aos idosos, desde a marginalidade à toxicodependência.

Mas talvez o melhor exemplo da falta de cultura de cooperação resida na própria AP onde a fragmentação dos processos e das iniciativas tem originado duplicações, custos injustificados, delongas burocráticas e ineficiências que são bem conhecidas por todos os responsáveis e cidadãos. Uma sugestão pragmática para evitar repetições e desajustamentos consiste em apoiar apenas transformações por processo integrado inter-organismo, em vez de aceitar candidaturas por departamento.

O receio da cooperação em rede surge também na confusa e fragmentada rede das nossas instituições do Ensino Superior que apostam na cooperação com as estrangeiras, pois sentem-se promovidas com tais alianças, mas receiam estratégias de cooperação com as da mesma cidade ou região pois sentem-se ameaçadas.

A exigência da cooperação também se estende à relação entre sectores, designadamente entre as universidades e as empresas, julgando-se desejável que as missões entre Estados aliem o negócio à educação e ao conhecimento, o que implicaria passar a potenciar as alianças entre estes importantes sectores da vida nacional.



InnovMark: "Transformamos a sua Visão em Inovação"


InnovMark

Comments

Tell us what you're thinking...
and oh, if you want a pic to show with your comment, go get a gravatar!





< ?php wp_footer(); ?>