Gerir Portugal durante um dia – Jorge Nascimento Rodrigues

January 4, 2007 by  
Filed under Artigo de Opinião

Por Jorge Nascimento Rodrigues

1ª medida: Dizer a verdade aos tugas, entretanto (se a coisa se agravar) ou na próxima campanha eleitoral: o país precisa de 10 anos para dar a volta, depois de ter perdido os 10 anteriores (vide o relatório linkado pelo Bruno), e os anos de 2007-2010 vão ser dificeis pois é a partir de agora que se vão sentir efectivamente os impactos das deslocalizações e deseestruturação dos sectores económicos em que se baseia a nossa especialiação. O que sentimos até agora foram só os preliminares.As «reformas» que estão a ser feitas são apenas o mexer no rebordo; ou seja, acabar com os esquemas parasitas e «rentistas» de negócio empresarial (acumulação de capital na banca, fuga ao fisco, aplicação de capitais em circuitos financeiros, como a partir das sociedades na Holanda, etc.) e de maximização dos rendimentos pessoais (a lista enorme de pequenos e médios beneficios que as classes médias foram arrancando) que se foram instalando nos ultimos 20 a 25 anos.

É a unica medida de que me lembro como nº1. Mas aproveitando, aqui vai mais um lençol de outras mais de política (policy, dizem os americanos).

Dita a verdade, e limpos os cantos à casa (esperemos que sem deitar o lixo para debaixo do tapete), haveria 4 medidas de emergência, para mim mais terra-a-terra:

- Línguas: campanha de aprendizagem de línguas de negócio (além do inglês, o castelhano e o chinês) não só nas escolas como para a maioria da populaçao, particularmente nas regioes raianas, turisticas e com hipóteses de fixação de investimento directo estrangeiro; modificação da sinalética existente (que só há em português) e incentivo massivo a que todos os sites portugueses locais, regionais e turisticos e de conteúdos, para que tenham versões em várias línguas

- Cidades, regiões e vilas: desenvolvimento de estratégias preventivas face à ameaça de deslocalizações; promoção externa agressiva de captação de investimento directo estrangeiro por parte dos autarcas e entidades locais (não deixar isso na mão da API/ICEP); apoio ao desenvolvivemto de negócios locais (ampliação dos apoios ao microcrédito e como no Brasil aos micro e pequenos negócios) de serviços (incluindo os novos serviços à população) e produtos locais (o que os franceses chamam produits du territoire)

- Cosmopolitanismo da juventude: reforço dos programas de formação qualificada no estrangeiro (massificação da ‘estrangeirização’ dos nossos talentos); incentivo massivo a programas de envio temporário de jovens portugueses na Europa; criação de medidas discriminatórias positivas para empreendedores portugueses e estrangeiros que os levem a fixar-se em Portugal

- Marca Portugal Global: criação de uma rede virtual de personalidades e empresas que têm projecção internacional, uma espécie de Conselho de Sábios, que apoiasse iniciativas público privadas de lançamento de grandes projectos de impacto na opiniao pública internacional (por exemplo, um sobre os nossos Descobrimentos, ampliando o que o Smithsonian vai fazer nos EUA;e outro itinerante, que levasse as empresas portuguesas que vingaram internacionalmente e a diplomacia a apoiar agressivamente a exploração de oportunidades lá fora pelos grupos médios e pequenos portugueses e por artistas e homens de letras, cientistas, etc; uma coisa sistemática, não esporádica e intermitente).

O resto das medidas deixo para os politicos, economistas, fiscalistas, etc., gente que quer governar. Eu não quero.

Se os cofres do Estado até estivessem tesos, eu até, modestamente, dava um dia de salário para uma conta bancária para estas 4 medidas (mas exigia que quem gerisse esse saco azul prestasse contas bem transparentezinhas, que o dinheiro a mim sai-me do pelo).

Jorge Nascimento Rodrigues editor de www.janelanaweb.com e www.gurusonline.tv

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