Cotec Portugal

May 16, 2007 by  
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Associação Empresarial para a Inovação

A COTEC Portugal é uma associação empresarial sem fins lucrativos que tem como Missão promover o aumento da competitividade das empresas localizadas em Portugal, através do desenvolvimento e difusão de uma cultura e de uma prática de inovação, bem como do conhecimento residente no País.

Por onde anda a nossa inovação ?

Um empresário, uma empresa ou uma economia, devem estar em permanente estado de inovação.

António Gaspar

In Diário Económico

“É a imaginação, que permite ao homem mover-se nas trevas da criação. Sem a imaginação, que utilidade teria para o homem a sua inteligência?”.
Joaquim Nabuco (1849-1910)

A inovação, a formação e qualificação profissional, a produtividade, as infra-estruturas de excepção e a dinâmica empresarial, confluem todas elas para a competitividade duma economia, e se quisermos ser mais abrangentes, para a dimensão da riqueza nacional. Apesar da importância de todas, vou referir-me de forma particular à inovação.

Se olharmos o cenário que a economia real nos proporciona, verificamos que existem claros exemplos de sucesso inovador, mas infelizmente constatamos paralelamente que muitos dos nossos empresários, nas mais variadas áreas de negócio, se limitam a copiar o que vão vendo interna ou exógenamente, não acrescentando qualquer valor ao produto ou serviço que colocam no mercado. Esta atitude demonstra desde logo, uma insípida cultura de risco e mesmo até, uma total aversão. Sabe-se que inovação e cultura de risco se interligam e se mitigam, no entanto, esta inevitabilidade é para muitos insuportável desde o ponto de vista do negócio, pelo que preferem não arriscar e por consequência não inovar, pautando o seu negócio pela busca constante e fácil da cópia, como Schumpeter lhe chamou – “o enxame de imitadores”.

Se atentarmos a vários sectores da economia portuguesa, conseguimos sem grande dificuldade, identificar casos de verdadeiro “êxito imitador”, sem chama, sem qualquer inovação, mas que vão vendendo.

Começamos pelo sector dos serviços e dentro destes, referimos os serviços financeiros. Sabemos que muitas empresas financeiras de âmbito multinacional exportam para o mercado português produtos e serviços disponíveis no mercado de origem. A maior parte trata-se duma transposição total, em outras vezes fazem-se os ajustamentos que a legislação exige.

Se olharmos os conteúdos televisivos, e aqui refiro-me particularmente ao tema dos concursos que amiúde passam pelos canais portugueses, todos eles se limitam a ser cópias fiéis do que outros canais estrangeiros vêm apresentando. Por vezes, dá-se a coincidência (?) da própria produtora ser a mesma e que adequa o programa ao país que o emite. Parece que fica mais barato comprar ideias do que internamente gerarmos um ‘input’ de grande qualidade e interessante’ que possa ser exportado.

No panorama da música temos o mesmo tipo de comportamento. É com facilidade que identificamos intérpretes portugueses da canção que são campeões de vendas em Portugal (já se perde a conta aos discos de ouro e platina), mas totalmente à custa de versões produzidas por artistas brasileiros, alemães e ingleses.

Até nos atabalhoadas processos de reformas antecipadas e despedimentos, muitos copiaram o obsoleto modelo americano que fez “furor” na década de 80.

Como se vê, é bem mais fácil copiar que inovar. No entanto uma postura de adaptar e não criar valor, nuca será sustentável no futuro de qualquer empresa e de qualquer economia.

O fomento do aparecimento de mais agentes inovadores e a criação de condições para que tal aconteça, tem que ser prioritário na nossa economia e nas nossas empresas. Uma cultura correcta, assumida e controlada do risco, deve estar omnipresente em todas as atitudes e intenções de investimento. Só a diferenciação positiva que é conferida pela inovação, consegue ganhos sustentados que posteriormente se transformam numa maior competitividade e consequente ganhos de quota de mercado.

É verdade que cada vez mais concorremos à escala global, mas quer nos posicionamos nos grandes negócios ou nos de nicho, a atitude perante a inovação é determinante para se sobreviver. Um empresário, uma empresa ou uma economia, devem estar em permanente estado de inovação. Nunca se deverão acomodar às imitações ou versões, cujos originais um pouco por todo o mundo se vão produzindo. Pelo contrário, os nossos empresários inovadores deverão saber estar sempre um passo à frente da concorrência, condição suficiente e que lhes garante de forma sustentada a sua (e nossa) sobrevivência.

Um país sem dinâmica inovadora, será sempre um país pobre nas suas mais amplas e múltiplas acepções.

Own Boss

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