QREN, PME e SC&T: orgulho ou preconceito?
January 21, 2008 by Inovação & Marketing
Filed under Apoios & Incentivos, Artigo de Opinião
O papel dos Centros Tecnológicos continua a ser fulcral para a dinamização de redes colectivas de desenvolvimento empresarial.
Por Gonçalo Lobo Xavier – Director executivo da Rede de Centros Tecnológicos de Portugal
À medida que se vai percebendo a estratégia que esteve por trás da definição da estrutura de apoios do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional – ao tecido industrial e, concretamente, as políticas públicas de fomento da inovação e competitividade no contexto das PME, começa-se a ter ideias mais realistas sobre o assunto.
Na verdade, o que é transmitido, de forma mais ou menos institucional, dá espaço para acreditar que os decisores, influenciados ou não pelo facto de esta ser encarada como a “última oportunidade”, passaram para o programa os conceitos da Agenda de Lisboa e do Plano Tecnológico, enquanto ideia para o país. Parece, pois, haver mais empenho no combate ao chamado, “paradoxo europeu”, i.e., no combate à baixa ligação entre as empresas e a investigação, lacuna factual do nosso sistema de transferência de conhecimento.
Estes factos são observáveis se tivermos em conta que as várias medidas já conhecidas põem, ao que tudo indica de uma vez por todas, na ordem de prioridades, a ligação entre o conhecimento puro e as necessidades reais das empresas, sobretudo as PME.
Parece não existir espaço para projectos isolados, sem estratégia, e sem métrica de resultados ou meritocracia. Por outro lado, é valorizada, em definitivo, a lógica há tanto tempo defendida (e por muitos já praticada) da ligação em rede dos actores que, de facto, podem criar valor para os sectores: Associações Sectoriais, Universidades, Centros Tecnológicos e outras entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SC&TN), fornecedores e empresas. Todos a trabalharem de forma relativamente estruturada e com o mesmo objectivo: criar valor para todos, traduzível em empregos e riqueza.
Mas fica a questão: o que representam para as PME os eixos já conhecidos, sobretudo na área da inovação?
O que parece claro é que, de forma mais assertiva, se tenta contrariar um facto patente nas empresas, que é o destas nem sempre poderem ter competências definidas, em parte porque as operações não estão estruturadas, em parte porque a diversidade de obrigações assim o impõe. É por isso que é comum ver nalgumas PME (e não generalizo…) engenheiros de produção a dividirem tarefas entre o “chão de fábrica” e o marketing ou financeiros com funções comerciais e na estratégia de inovação da empresa.
Passando este exemplo a uma outra dimensão, verifica-se que o QREN tem medidas que permitem ajudar cada instituição a fazer o que faz de melhor e em rede, havendo, assim, espaço para todos “estarem no que fazem e fazerem o que devem”.
O desafio é, pois, que os ‘players’ tenham a “humildade” de não quererem “ir a todas” as medidas ou apoios mas, antes, que usufruam do que existe e que melhor se aplica às suas necessidades em que cada um cumpre o seu papel, sem querer desempenhar o que deve ser de outros, como o engenheiro do exemplo acima.
As PME já perceberam que é com “inovação” que se tornam mais competitivas mas também já perceberam que a inovação não se decreta nem está estruturalmente ao alcance de todos. É nesse sentido que devem realizar o seu papel e devem exigir dos outros, dos que “devem fazer inovação”, um maior apoio e criatividade.
Daí ser relevante ter em conta as redes de inovação e de I&D já existentes e que funcionam bem, evitando a criação de novas estruturas mais ou menos paralelas às que actualmente existem. Neste sentido, o papel dos Centros Tecnológicos continua a ser fulcral para a dinamização de redes e de acções colectivas de desenvolvimento empresarial e para a criação de serviços pró-activos que estimulem a investigação e a inovação aplicada.
É também por isso que medidas como o “vale IDT”, as propostas colectivas (quem melhor que as associações sectoriais sabe melhor quais as necessidades colectivas de um sector?) e a aposta em Pólos de Competitividade (desde que verdadeiros…) são aparentemente desafios, à partida, votados ao sucesso.
Assim queiram os vários ‘players’ (sobretudo as PME), assim achem os decisores, assim faça o país.
Os Centros Tecnológicos serão sempre parte da solução. Com orgulho e sem o preconceito de servir as PME que representam, afinal, 97% do tecido empresarial português.
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Nota do I&M: O desenvolvimento do Sistema Nacional de Inovação é fundamental. Neste novo panorama a inovação em rede é vital para a competitividade das organizações, sendo necessário que as PME´s encarem este desafio com a devida importância que o tema merece. Para bem das nossas organizações, para bem do País.






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