Empreendedorismo: Tenho uma ideia para um negócio. E agora?

Março 22, 2012 by  
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Nunca a altura foi tão propícia para que um indivíduo, em Portugal, possa desenvolver um projecto vencedor, apoiado por entidades competentes e com acesso aos recursos certos.

As épocas de crise sempre foram alturas de grandes oportunidades. Muda o paradigma de funcionamento de sectores inteiros, os clientes tornam-se mais criteriosos, a dinâmica competitiva aumenta de intensidade e surgem empresas inovadoras, mais atuais, ajustadas às condições do mercado e com propostas de valor altamente disruptivas. Estamos neste momento numa altura de grandes oportunidades.

A par da situação macroeconómica, Portugal está com uma dinâmica impressionante ao nível do empreendedorismo. De norte a sul do país estão a aparecer instituições, incubadoras e programas de aceleração que apoiam, com verdadeiro valor acrescentado, a criação de novos negócios.

Temos a geração mais bem preparada dos últimos anos. Dispomos de um conjunto de competências extremamente rico, que olham para o mercado de trabalho de uma forma diferente; desconhecem o conceito de “emprego vitalício” e começam a ver a via empreendedora como uma excelente alternativa para iniciar e desenvolver a sua carreira profissional.

Argumento, com alguma confiança, que nunca a altura foi tão propícia para que um indivíduo, em Portugal, possa desenvolver um projecto vencedor, apoiado por entidades competentes e com acesso aos recursos certos. Embora vivamos num mundo global (e acredito que os projectos de maior interesse estarão necessariamente orientados para tal) Portugal tem excelentes condições para ser um ponto de partida.

Com o enquadramento favorável, as pessoas têm de ser incentivadas a transformar as ideias que pairam no seu subconsciente, em projectos empresariais competitivos. Mas, como fazê-lo?

A primeira coisa a ter em conta é que uma ideia é muito diferente de um negócio. A transformação de uma ideia em negócio é um processo penoso que deverá respeitar 3 passos críticos:

1. Validação da ideia
O primeiro passo deverá ser a validação da ideia. Uma boa ideia é tipicamente fácil de articular, já que responde a uma necessidade concreta que é comum a um conjunto de pessoas ou organizações; tem um elemento inovador que visa desestabilizar um mercado com concorrência fraca ou fragmentada; e tem uma fonte de receita que seja fácil de explicar e de realizar. A validação da ideia deverá ainda seguir um processo interactivo de diálogo com potenciais clientes, parceiros, amigos e gurus do sector, permitindo ajustar e clarificar a proposta de valor (são maiores os benefícios a extrair deste tipo de interacção do que o risco da ideia ser “roubada”).

2. Criação do “business plan”
O “business plan” é um passo muitas vezes subvalorizado mas que é extremamente importante para o sucesso de qualquer projecto. É raro que um “business plan” seja cumprido, no entanto, a sua criação permite realizar três grandes objectivos: (i) aprofundar a análise do mercado e pensar em todas as variáveis do negócio (receitas, custos, marketing, operações, RH, financiamento, etc.) ; (ii) definir um roadmap claro para o desenvolvimento do projecto; (iii) concretizar a ideia num produto que sirva de base para abordar eventuais investidores e parceiros.

3. Teste do conceito
É preciso ter claro que, estatisticamente, a grande maioria dos projectos empreendedores, quando passados do papel para o mundo real, falham nos primeiros anos de existência. Um bom empreendedor não evita o falhanço, precipita o falhanço. Por esta razão é fundamental conseguir fazer um bom teste ao mercado antes de aplicar os recursos financeiros e humanos para desenvolver o projecto em grande escala. O resultado do teste pode levar o promotor a (i) realizar que proposta de valor deveria ser ajustada; (ii) avançar com o projecto nos moldes definidos; (iii) simplesmente abortar o projecto e minimizar as perdas potenciais.

Fonte: Jornal de Negócios



Comentários

  1. antónio saias diz:

    se me pedissem para criar um termo que substiuisse o desgastado
    INOVAÇÃO eu apontaria “IMAGINAÇÃO CONCRETA”
    pensar como resolver uma situação e avançar para a tentativa de a materializar

    em Abril de 74 tinha um MINI a cair de podre, em que nasciam plantas no feltro húmido dos vidros de correr.
    outro MINI a seguir; um INNOCENTI de seguida, até que resolvi negociar com o meu irmão um Mercedes a cair de podre que tinha na garagem. Com o meu jeito para o negócio, mesmo tratando-se, de irmão, enfiei um barrete de todo o tamanho.
    neste momento volto a andar de MERCÊDES – não muito melhor mas da mesma idade que o primeiro

    sempre considerei o Mercêdes como um carro ideológico. Escrevi mesmo e publiquei um poema – “OS MERCEDÁRIOS”, que não transcrevo para não chatear.

    ontem tive um furo à entrada da Aldeia – denunciado por alguém que passava e me interpelava: “está coxo?”

    mudar roda, tirar e montar pneu de reserva, reinstalar pneu furado na sede respetiva, no fundo da bagageira.

    UMA ANILHA DE BORRACHA num parafuso com 10 cms de comprimento, difícil de apontar na respetiva ROSCA, em baixo, é uma INOVAÇÃO
    de extrema utilidade

    dificuldades de toda a ordem para encaixar o parafuso na respetiva rosca.
    Vejo a anilha a meio do parafuso, baixo-a até à extremidade impossível de ver no ato de aparafusar, e reparo com espanto que à primeira tentativa o parafuso se encaixa sem qualquer dificuldade

    o homem (técnico competente e eficiente) que me trata dos pneus,
    também desconhecia a utilidade da MODESTA anilha de borracha.

    que foi sem dúvida um processo INOVADOR de contrariar uma indiscutível CHATICE