Inovação: «Inovar é ter competências para antecipar os cenários do futuro»

Abril 5, 2012 by  
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Por esta altura, multiplicam-se um pouco por toda a Europa actividades e iniciativas com o objectivo de demonstrar o potencial das competências digitais. Esta é a proposta da Semana Europeia eSkills, uma iniciativa promovida pela Comissão Europeia que dedica uma semana à promoção das competências digitais, sobretudo entre os jovens e o mercado empresarial.

À semelhança de anos anteriores, a edição 2012 da iniciativa europeia continua a realçar a importância de apostar na formação e qualificação profissional de base tecnológica. Para os responsáveis da iniciativa esta é uma condição essencial para o emprego, a competitividade e o crescimento económico.

Mas na Europa o desafio não está fácil. A falta de qualificações em tecnologias de informação continua a ser um factor de preocupação na Europa. Apesar da crise, o sector das tecnologias mantêm o ritmo de crescimento de três por cento ao ano. Em contrapartida, as empresas sentem dificuldade em recrutar e reter pessoal qualificado em tecnologias de informação.

Esta batalha pela qualificação digital, através da eSkills Week 2012, também passa por Portugal. O iGOV aproveitou a oportunidade para conversar com o embaixador nacional da iniciativa, Paulo Dias, Reitor da Universidade Aberta.

Quais são os grandes objectivos e expectativas para a presente edição da Semana Europeia eSkills 2012?

Os principais objectivos consistem na sensibilização, quer dos jovens quer do sector empresarial, no sentido do desenvolvimento das competências digitais numa nova qualificação dos jovens para o futuro da sociedade digital, particularmente no desenvolvimento de competências avançadas.

Estas competências passam por saber, conhecer e trabalhar com objectos inteligentes, cenários de realidade aumentada, mundos virtuais, Internet do futuro… Portanto, tudo o que tem a ver com a construção do futuro da sociedade digital.

Durante o lançamento oficial da iniciativa, a Comissão Europeia expressou algumas preocupações pela falta de qualificações nesta área por parte dos jovens. Como é que esta situação pode ser alterada?

Por um lado, sensibilizando os próprios jovens para a necessidade de desenvolverem competências nesta área. Por outro lado, sensibilizar também o mercado de trabalho para a percepção de que a inovação se faz através da qualificação. Naturalmente, isto envolve os empresários, no sentido de estarem abertos às iniciativas de mudança, na qualidade de responsáveis por essas mesmas mudanças.

O que está aqui em causa é uma formação avançada que permita não só uma qualificação mas o desenvolvimento de competências para construir a inovação. E a inovação aqui tem muito a ver com o seguinte: preparar o futuro e ser capaz de ter competências para antecipar os cenários do futuro. Isto é a ideia principal.

E como é que Portugal está em matéria de eSkills?

Portugal está, como todos os outros países, a tentar fazer o seu melhor. Esta semana é uma iniciativa europeia que Portugal também acolheu e envolve cerca de 130 parceiros, incluindo empresas de várias dimensões, escolas, organizações e associações culturais, interligados para falarem, mostrarem as suas necessidades e as suas vontades.

Para além destes 130 parceiros, que representam uma grande mobilização, temos 230 actividades planeadas, que vão desde concursos, produção de vídeos, registo de experiências, etc.

Por exemplo, durante a conferência de abertura do programa nacional com os vários parceiros, uma aluna referiu que estava a preparar um vídeo que vai apresentar a concurso no domínio da robótica. Repare que hoje trabalhar robótica para um aluno significa adquirir um conjunto de competências avançadas num domínio que é extremamente importante. Quem sabe se esta aluna amanhã não vai abrir a sua empresa no domínio da robótica.

Ou seja, construir competências significa também uma qualificação avançada e a educação é uma condição avançada para o desenvolvimento e para a inovação. E o que esta semana pretende no plano europeu, e em particular no plano português, é a sensibilização de que a educação é fundamental para o desenvolvimento.

O que é que está a ser feito para incentivar os mais jovens a investirem nas suas ciber-competências?

Para além dos planos curriculares e de estudo, tudo o que está a ser feito neste programa, e outros que são próximos, tem como objecto principal o desenvolvimento das áreas do saber e de saber fazer ligadas às tecnologias de informação.

Eu diria mais ainda… salienta-se aqui a importância do desenvolvimento de competências não só tecnológicas mas também sociais. Ou seja, a percepção de que o desenvolvimento tecnológico altera os comportamentos e os desempenhos sociais.

Não é só prestar atenção à tecnologia pela tecnologia, que é importante e necessária naturalmente, mas ter também a percepção de que com as redes sociais como o Facebook alteram-se os comportamentos e os modelos de interacção social. E com isso estamos a provocar mudanças profundas no tecido social.

Portanto, a tecnologia não pode ser vista isoladamente. Tem de ser vista nesta relação entre a tecnologia e a sociedade, e particularmente no que toca às competências sociais e competências tecnológicas para o desenvolvimento e a inovação.

Fonte: iGOV



Comentários

  1. Paulo Ramos diz:

    O crescimento ou a geração de empresas e empregos, não passa somente pela criação de novas tecnologias. O mundo actual parece estar asfixiado com os termos tecnológicos, tem a sua visão centrada por aqui. Isso, atrofia ideias que permitem as pessoas (Jovens), pensarem um pouco fora desta caixa, ou, em outras fontes que possam imprimir as suas criatividades. Quando aqueles que têm a missão de orientar os jovens não ampliam suas missões para outras perspectivas, pode não haver quem pense diferente, sobretudo quando os apoios têm a corrente para um só curso.

    Paulo Ramos