Artigo de Opinião: “A revolução do E-commerce e da Indústria 4.0” (Revista SPOT)

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A revolução do E-commerce e da Indústria 4.0

A nível mundial têm surgido algumas notícias que têm apanhado de surpresa as pessoas mais desatentas. A Toys”R”us pediu falência a nível internacional e embora as lojas em Portugal ainda estejam abertas, começou a vender as lojas de retalho a outros concorrentes em vários países. A H&M recentemente anunciou o fecho de 170 lojas a nível mundial, incuindo uma das lojas que detinha em Braga, na Avenida da Liberdade. Motivos? A concorrência é cada vez maior no retalho físico, no entanto também o e-commerce começa a ganhar cada vez mais adeptos em detrimento do retalho físico. E o sector da Moda e dos Brinquedos são 2 bons exemplos porque estão a ter uma adesão muito rápida ao nível das compras digitais.

Em termos globais mais de 10% de todas as compras B2C (por parte dos consumidores finais) já são efectuadas no digital (segundo a eMarketeer), e as previsões apontam para o o facto de nos EUA 1/6 das compras já serem realizadas através da internet. Em 2024 cerca de 1/3 das compras nos EUA serão via e-commerce, segundo a Deloitte. Recentemente a WD Partners foi mais optimista e anunciou que em 2024 50% das compras nos Estados Unidos poderão já ser realizadas via internet. Considero a previsão da WD Partners algo optimista no entanto, dentro de 6, 9 ou 12 anos a realidade é que o acesso generalizado à internet a nível mundial e a cada vez maior oferta de propostas de valor através do digital irá levar a que o digital passe a ser o método preferencial nas compras (independentemente do método de pagamento utilizado) e quem irá perder com essa mudança é o retalho tradicional.

Essa mudança já está a levar a que existam marcas tradicionais a apostar nos locais físicos como demonstração e locais de experiências e de interacção com as marcas, sendo o canal digital o canal preferencial para as encomendas. Por outro lado, já existem marcas que nasceram no ambiente digital, como as portuguesas Farfetch e Prozis ou até as gigantes Amazon e Alibaba, e que já começaram a estabelecer parcerias ou a lançar retalho presencial como um complemento de vendas ou como parceria para o lançamento do conceito do omnichannel, ou seja, da integração de todos os canais (digital, presencial, atendimento telefónico, etc).

A Farfetch está a começar a testar esse conceito com a Chanel, a Prozis tem desenvolvido parcerias com as principais marcas da grande distribuição nacional, a Amazon lançou e está a testar a loja física inteligente Amazon Go e o grupo asiático Alibaba também está a testar lojas físicas inteligentes que até permitem o pagamento por reconhecimento facial. A Tesla, no sector automóvel, é um bom exemplo da mudança de paradigma já que apesar de não ter lojas em muitos locais físicos, permite pré-encomendas através do digital e aposta muito em eventos e pop-up stores de demonstração.

Por fim, o retalho físico e os grossistas terão mais dificuldades neste paradigma já que outra grande tendência é a indústria 4.0, ou seja, as lojas físicas inteligentes e as lojas online vão estar mais interligadas com os produtores, sendo necessário que a produção passe a ser cada vez mais optimizada e adaptada em função da informação das vendas em tempo real a que os produtores terão acesso. Isso implicará uma mudança radical da indústria apostando cada vez mais na capacidade de adaptação, produção just-in-time, produção em pequenos lotes, personalização de produtos, capacidade logística nacional e internacional, e acima de tudo no lançamento constante de novas soluções, produtos e designs ao longo de cada ano, ou seja, capacidade de inovação!

 

Bruno Silva

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# Coach, Consultor e Formador nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo, desde 2009 na InnovMark, colaborando também com Instituições de Ensino Superior, Entidades de Consultoria e de Formação profissional, Associações Empresariais, onde se incluem projectos geridos pela AEP, IAPMEI, CAP, AIP, CCP, CTP, CIG, etc.

# Speaker / Orador, desde 2009, com mais de 100 presenças nos principais Congressos, Seminários, Workshops e Conferências nacionais e Feiras de Negócios nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo.

# Fundador e Community Manager, desde 2006, do Portal Inovação & Marketing, que conta actualmente com mais de 80.000 Subscritores, considerando todos os formatos de subscrição, sendo um dos maiores projectos deste género em Portugal.

# Cronista desde 2006 no Portal Inovação & Marketing, Revista Inovar-te, Portal AEP, Revista Brasileira de Administração, Revista Farmácia Distribuição, E-Go-Marketing, Revista Portugal Inovador (Jornal Público), RTP2, Marketing Farmacêutico e Revista SPOT.

# Fundador e Community Manager, desde 2013, do “Dish Mob Portugal” que promove o espírito “Dish Mob”, e que é um importante movimento nacional de promoção do networking e aceleração de ideias nas áreas da inovação e do empreendedorismo, com mais de 30 eventos já organizados.

– Licenciatura Pré-Bolonha em Gestão pela Universidade do Minho (2004).
– Pós-Graduação em Marketing pelo IPAM – Marketing School (2006).
– Pós-Graduação em Gestão da Tecnologia, Inovação e Conhecimento pela Universidade de Aveiro (2007)
– Curso de Especialização em Empreendedorismo de Base Tecnológica pela Universidade de Aveiro (2007)
– Formações Profissionais em Vendas, Excelência Pessoal, Inteligência Emocional e Criatividade, Gestão do Stress, Organização de Eventos, Comunicação em Público, E-Business, etc.

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