Artigo de Opinião “A Inovação na Restauração” (Revista SPOT)

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Por Bruno Silva

Artigo de Opinião publicado na Revista SPOT

A Inovação na Restauração

Um dos sectores fundamentais para a economia local, a Restauração, está inserido no canal HORECA – Hotéis, Restaurantes e Cafés, fundamental para o cluster do Turismo e não só. A melhoria das propostas de valor a nível nacional e a nível internacional começa a ser uma realidade no canal HORECA, como recentemente se verificou com a parceria entre o Grupo Pestana e Cristiano Ronaldo com o objectivo de lançarem a marca de hotéis “Pestana CR7” a nível global.

Considero que na área da restauração também existe enorme potencial de inovação e de globalização deste sector na medida em que o nosso país é reconhecido pela generalidade dos turistas como uma excelente região em termos de restauração e de gastronomia. Se estamos habituados na arte de bem receber porque motivo têm existido poucos projectos globais neste sector?

É natural verificar-se em termos internacionais o surgimento de restaurantes asiáticos, italianos, indianos e de outras proveniências. Portugal tem uma gastronomia tão boa ou até melhor do que a proposta apresentada por outros destinos geográficos, e seria importante que fosse lançada uma estratégia concertada para internacionalizar a gastronomia e a restauração nacional, na medida em que além da restauração também a agro-indústria nacional sairia beneficiada com a exportação e a notoriedade dos produtos alimentares de origem portuguesa, onde se incluem os vinhos, os azeites, etc.

A nível internacional já temos um bom case-study. A “Nando’s” é uma cadeia de fast-food de origem sul-africana, que se apresenta como uma marca portuguesa criada por um emigrante português que se radicou na África do Sul, tendo neste momento mais de 1.000 restaurantes em regime de franchising em cerca de 30 países.

Na área alimentar importa também destacar projectos nacionais e internacionais que se preocupam em ajudar os mais carenciados como é o caso do “Banco Alimentar” e do “Refood”, ambos com forte implantação em Portugal, projectos com enorme foco na área da solidariedade e que merecem a nossa atenção.

Por fim, importa também destacar o movimento cívico “Dish Mob” que nasceu nos EUA e se expandiu para vários países, onde se inclui Portugal. Desde o primeiro momento tenho apoiado este movimento cívico no nosso país, que consagra o apoio e a promoção da restauração local e dos produtos locais de origem nacional, organizando jantares temáticos que permitem a promoção da restauração e da gastronomia nacional, bem como o debate de temas estruturantes para o desenvolvimento da economia local. No nosso país existem várias cidades representadas no movimento “Dish Mob” como é o caso de Braga, Porto, entre outras localidades que têm vindo a organizar Jantares-debate, estando a ser planeada a organização de vários eventos ao longo de 2017.

Sobre o Autor

Bruno Silva

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# Coach, Consultor e Formador nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo, desde 2009 na InnovMark, colaborando também com Instituições de Ensino Superior, Entidades de Consultoria e de Formação profissional, Associações Empresariais, onde se incluem projectos geridos pela AEP, IAPMEI, IEFP, CIG, etc.

# Speaker / Orador, desde 2009, com mais de 100 presenças nos principais Congressos, Seminários, Workshops e Conferências nacionais e Feiras de Negócios nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo.

# Fundador e Community Manager, desde 2006, do Portal Inovação & Marketing, que conta actualmente com mais de 70.000 Subscritores, considerando todos os formatos de subscrição, sendo um dos maiores projectos deste género em Portugal.

# Fundador e Community Manager, desde 2013, do “Dish Mob Portugal” que promove o espírito “Dish Mob”, e que está a transformar-se num dos principais movimentos nacionais de promoção do networking e aceleração de ideias nas áreas da inovação e do empreendedorismo.

– Licenciatura em Gestão pela Universidade do Minho.
– Pós-Graduação em Marketing pelo IPAM – Marketing School.
– Pós-Graduação em Gestão da Tecnologia, Inovação e Conhecimento pela Universidade de Aveiro
– Curso de Especialização em Empreendedorismo de Base Tecnológica pela Universidade de Aveiro
– Formações Profissionais em Vendas, Excelência Pessoal, Inteligência Emocional e Criatividade, Gestão do Stress, Organização de Eventos, Comunicação em Público, E-Business

Artigo de Opinião “5 Tendências para 2017” (Revista SPOT)

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5 Tendências para 2017

Por Bruno Silva

Artigo de Opinião publicado na Revista SPOT

Uma das áreas fundamentais para a área da inovação está relacionada com a Análise de Tendências que poderão afectar os consumidores ou o ambiente externo de uma empresa. Atendendo ao início do ano nada melhor do que delinear algumas das Tendências para 2017 que poderão influenciar as empresas portuguesas:

1 – Fazer mais com menos (Crédito limitado) – O elevado endividamento das economias mais desenvolvidas tem originado maiores dificuldades de financiamento junto do sistema financeiro tradicional o que obriga a que as empresas, principalmente as PME’s, tenham de fazer mais com menos, seja na vertente de lançamento de novos produtos, actividades operacionais, ou actividades comerciais. A criatividade e a diferenciação ganham uma importância acrescida!

2 – Pensar global, a partir de Portugal (Brexit e Trump) – Duas das principais economias (EUA e Reino Unido) estão a desencadear processos “protecionistas” às suas economias, o que tornará mais difícil a exportação para esses mercados. Como se tratam de dois dos principais parceiros comerciais, que Portugal tem tido nas últimas décadas, será importante intensificar a prospecção internacional para outras geografias onde temos relações históricas privilegiadas (Ásia, América do Sul e África) e onde o crescimento económico continuará a acontecer!

3 – Luxo e Nicho versus Massas (“Crise”) – Com o menor poder de compra que se tem verificado por parte da classe média, as marcas que se dedicam a Produtos de Luxo e a Produtos de Nicho por norma conseguem passar os momentos de “crise” com menores dificuldades. A Aposta na criação e lançamento de Marcas para as Massas, em momentos de reduzida liquidez por parte da classe média, continuará a ser algo muito mais arriscado!

4 – Digital a crescer (Google, Facebook, Amazon e Apple) – o Digital continuará a ganhar terreno aos “media” tradicionais e ao comércio tradicional. A Google e o Facebook continuarão a ser os grandes players digitais a revolucionar a área da informação e dos “media”. A Amazon continuará a ditar tendências globais ao nível do comércio electrónico e prevê-se a sua possível entrada no próprio comércio tradicional. Além destes “gigantes” importa acrescentar a Apple que continua a ser a empresa com maior sucesso e maiores lucros na venda de dispositivos de acesso à internet. Não admira que, ao longo de 2017, os 4 “gigantes” continuem a ser 4 das empresas mais valiosas do mundo, em termos bolsistas!

5 – Indústria, Turismo, Tecnologia, Comércio Externo (exportações) – Os incentivos do Portugal 2020, vocacionados para as empresas, são claros. Investimentos que ajudem a melhorar a balança comercial com o exterior são privilegiados. Sectores como a Indústria, Turismo, Tecnologia e Comércio Externo continuarão a ser decisivos para o bom desempenho da economia nacional. É nas exportações, e não tanto no consumo interno, que poderá estar a chave do sucesso da nossa economia para 2017!

Sobre o Autor

Bruno Silva

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# Coach, Consultor e Formador nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo, desde 2009 na InnovMark, colaborando também com Instituições de Ensino Superior, Entidades de Consultoria e de Formação profissional, Associações Empresariais, onde se incluem projectos geridos pela AEP, IAPMEI, IEFP, CIG, etc.

# Speaker / Orador, desde 2009, com mais de 100 presenças nos principais Congressos, Seminários, Workshops e Conferências nacionais e Feiras de Negócios nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo.

# Fundador e Community Manager, desde 2006, do Portal Inovação & Marketing, que conta actualmente com mais de 70.000 Subscritores, considerando todos os formatos de subscrição, sendo um dos maiores projectos deste género em Portugal.

# Fundador e Community Manager, desde 2013, do “Dish Mob Portugal” que promove o espírito “Dish Mob”, e que está a transformar-se num dos principais movimentos nacionais de promoção do networking e aceleração de ideias nas áreas da inovação e do empreendedorismo.

– Licenciatura em Gestão pela Universidade do Minho.
– Pós-Graduação em Marketing pelo IPAM – Marketing School.
– Pós-Graduação em Gestão da Tecnologia, Inovação e Conhecimento pela Universidade de Aveiro
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Artigo de Opinião “A Coca-Cola e o Imaginário” (Revista SPOT)

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A Coca-Cola e o Imaginário

Por Bruno Silva

Artigo de Opinião publicado na Revista SPOT

Aproxima-se o Natal, época de nostalgia, família, magia e muito consumo e Marketing!

Hoje em dia é difícil de dissociar o Natal da figura do Pai Natal. Mas tal situação nem sempre foi assim. O Pai Natal é uma personagem mitológica que já tinha surgido em ilustrações no século XIX. Até aos anos 30 a imagem do Pai Natal variava muito de acordo com o artista ou com a ocasião.

Em 1920 o Pai Natal apareceu pela primeira vez num anúncio da Coca-Cola, e durante os anos que se seguiram foram contratados vários ilustradores que foram apresentando desenhos algo diferentes para a mesma personagem. No entanto, foi em 1931 que nasceu o Pai Natal como todos o conhecemos actualmente, desenhado pelo artista Haddon Sundblom, por iniciativa da Coca-Cola, numa publicação do The Saturday Evening Post. Deu-se início a uma das maiores inovações na área da Comunicação de Marketing.

Com base no São Nicolau foi criada uma personagem simpática, afetuosa e acolhedora que acabou por cativar a generalidade das pessoas e ajudou a criar uma imagem definitiva do Pai Natal. Essa figura também acabou por exponenciar a associação do Natal aos Presentes que o Pai Natal oferece nesta altura do ano, influenciando a partilha e o consumo nesta época festiva.

Para se perceber a importância do Pai Natal importa referir que em 2013 a Brand Finance avaliou a marca “Apple” em 87 mil milhões de dólares e a marca “Pai Natal” em 1.58 triliões de dólares, sendo a marca mais valiosa do mundo. Curiosamente a Coca-Cola na década 30 acabou por nunca registar o design gráfico do Pai Natal e devido à sua aceitação pelo público essa situação influenciou a que a generalidade das marcas começasse a utilizar essa imagem do Pai Natal nas suas estratégias de Comunicação de Marketing, aumentando a notoriedade e o valor da marca Pai Natal.

Em Dezembro de cada ano, o Pai Natal valoriza produtos e marcas e influencia os consumidores a adquirir mais produtos e serviços em sectores como as Viagens, Retalho, Tecnologia, Hotelaria, entre outros. O final do ano é por excelência uma altura do ano em que muitas marcas têm incrementos consideráveis nas vendas e sem dúvida que o papel do Pai Natal da Coca-Cola acabou por ser determinante para este fenómeno.

Apesar da vertente consumista é importante também lembrar que o Natal é uma época de harmonia, solidariedade, entreajuda e de aproximação entre amigos e familiares. Nem sempre durante o ano as pessoas partilham e vivenciam esses valores, o espírito natalício e a aproximação à família e entreajuda para com os que mais precisam. No entanto, como se costuma dizer “o Natal é quando um Homem (e uma mulher) quiser”!

Bom Natal e um Excelente Ano Novo para todos!

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Sobre o Autor

Bruno Silva

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# Coach, Consultor e Formador nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo, desde 2009 na InnovMark, colaborando também com Instituições de Ensino Superior, Entidades de Consultoria e de Formação profissional, Associações Empresariais, onde se incluem projectos geridos pela AEP, IAPMEI, IEFP, CIG, etc.

# Speaker / Orador, desde 2009, com mais de 100 presenças nos principais Congressos, Seminários, Workshops e Conferências nacionais e Feiras de Negócios nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo.

# Fundador e Community Manager, desde 2006, do Portal Inovação & Marketing, que conta actualmente com mais de 70.000 Subscritores, considerando todos os formatos de subscrição, sendo um dos maiores projectos deste género em Portugal.

# Fundador e Community Manager, desde 2013, do “Dish Mob Portugal” que promove o espírito “Dish Mob”, e que está a transformar-se num dos principais movimentos nacionais de promoção do networking e aceleração de ideias nas áreas da inovação e do empreendedorismo.

– Licenciatura em Gestão pela Universidade do Minho.
– Pós-Graduação em Marketing pelo IPAM – Marketing School.
– Pós-Graduação em Gestão da Tecnologia, Inovação e Conhecimento pela Universidade de Aveiro
– Curso de Especialização em Empreendedorismo de Base Tecnológica pela Universidade de Aveiro
– Formações Profissionais em Vendas, Excelência Pessoal, Inteligência Emocional e Criatividade, Gestão do Stress, Organização de Eventos, Comunicação em Público, E-Business para PME´s, e também Pedagógica

Artigo de Opinião “O Design, a Inovação e Steve Jobs” (Revista SPOT)

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O Design, a Inovação e Steve Jobs

Por Bruno Silva

Artigo de Opinião publicado na Revista SPOT

O Design pode ser considerado como a idealização, criação e desenvolvimento de produtos com o objectivo de melhorar os seus aspectos funcionais e visuais. Além da estética a questão funcional é fundamental para o desenvolvimento de um novo produto. A ligação do Design à Inovação é crucial na medida em que o Desenvolvimento de Produto assume-se como uma etapa crucial no processo de Inovação.

Nos últimos anos, o caso mais emblemático de uma empresa que tem sabido aliar o Design ao processo de Inovação, e por sua vez ao Marketing, é a Apple. Steve Jobs, um dos maiores visionários da era moderna sempre se preocupou em apresentar produtos excepcionais ao mercado, onde a vertente estética e funcional sempre assumiram uma atenção especial.

Além de ter revolucionado a usabilidade dos Pc ‘s (iMac), com um sistema operativo visual, estético e fácil de usar, seguiu-se a revolução nos dispositivos móveis de música (iPod), onde a facilidade de personalizar as músicas que queríamos ouvir e a facilidade de transferência dessas mesmas músicas assumiu uma atenção especial, tendo revolucionado toda a indústria da música.

Mas não se ficou por aqui. De seguida focou-se nos dispositivos móveis de comunicação, os telemóveis, que no início apenas serviam para fazer e receber chamadas e sms ‘s, e pouco mais. Steve Jobs pensou no telemóvel (iPhone) como uma extensão do ser humano, como um aliado precioso de muitas das funções que queremos executar no dia-a-dia, envolvendo comunicação, trabalho, acesso e partilha de informação, entretenimento, etc.

De seguida pensou numa nova categoria de produto, cujos estudos de mercado indicavam pouco potencial no início, porque os consumidores não entendiam muito bem o que poderiam fazer com ele: os tablets (iPad). O início da revolução editorial começou, e dentro de alguns anos o livro físico será uma peça de museu. Hoje em dia podemos observar crianças a pegar em livros e a tentar expandir com os dedos a informação que está nesses mesmos livros, como se fosse possível executar a mesma função que encontramos nos tablets ou nos smartphones.

O sucesso da usabilidade dos tablets é fácil de reconhecer observando crianças de 2 ou 3 anos, que mesmo ainda não sabendo ler e escrever conseguem utilizar esse dispositivo para jogar jogos, ver vídeos no youtube, entre outras funções de fácil usabilidade que a tecnologia permite.

Steve Jobs já não está entre nós, mas o seu sonho de um iWatch, de um iCar ou de uma iHouse, mesmo que os 2 últimos exemplos possam não ser um produto a 100% da Apple, estão em desenvolvimento. A internet das coisas começa ao poucos a ser uma realidade, e o futuro que nos espera será radicalmente diferente do presente e do passado a que nos habituamos, “porque as pessoas que são loucas o suficiente para pensar que podem mudar o mundo, são aquelas que o mudam” (Apple, Think Different, 1997)

Sobre o Autor

Bruno Silva

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# Coach, Consultor e Formador nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo, desde 2009 na InnovMark, colaborando também com Instituições de Ensino Superior, Entidades de Consultoria e de Formação profissional, Associações Empresariais, onde se incluem projectos geridos pela AEP, IAPMEI, IEFP, CIG, etc.

# Speaker / Orador, desde 2009, com mais de 100 presenças nos principais Congressos, Seminários, Workshops e Conferências nacionais e Feiras de Negócios nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo.

# Fundador e Community Manager, desde 2006, do Portal Inovação & Marketing, que conta actualmente com mais de 70.000 Subscritores, considerando todos os formatos de subscrição, sendo um dos maiores projectos deste género em Portugal.

# Fundador e Community Manager, desde 2013, do “Dish Mob Portugal” que promove o espírito “Dish Mob”, e que está a transformar-se num dos principais movimentos nacionais de promoção do networking e aceleração de ideias nas áreas da inovação e do empreendedorismo.

– Licenciatura em Gestão pela Universidade do Minho.
– Pós-Graduação em Marketing pelo IPAM – Marketing School.
– Pós-Graduação em Gestão da Tecnologia, Inovação e Conhecimento pela Universidade de Aveiro
– Curso de Especialização em Empreendedorismo de Base Tecnológica pela Universidade de Aveiro
– Formações Profissionais em Vendas, Excelência Pessoal, Inteligência Emocional e Criatividade, Gestão do Stress, Organização de Eventos, Comunicação em Público, E-Business para PME´s, e também Pedagógica

Análise: Finanças de Benfica, Porto e Sporting (R&C 2015/2016)

Análise realizada por Bruno Silva (InnovMark)

Atendendo ao mediatismo que está a recair sobre a temática das Finanças de Benfica, Porto e Sporting foi elaborada uma análise para se perceber melhor a situação dos 3 Grandes do Futebol Português, atendendo aos Relatórios e Contas das 3 SAD’s (época 2015/2016).

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Em termos gerais verifica-se um aumento dos Rendimentos anuais da Benfica SAD, e um decréscimo da Porto SAD e da Sporting SAD. Ao nível dos Resultados do Período 2015/2016, a Benfica SAD teve os seus lucros a aumentar para os 20,4M€, enquanto que a Porto SAD e a Sporting SAD agravaram a sua situação passando de lucros para prejuízos (58,3M€ e 31,9M€ respectivamente).

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Analisando as principais rubricas da Demonstração de Resultados e do Balanço das 3 SAD’s, poderemos retirar as seguintes conclusões:

Resultados Operacionais:

A Benfica SAD é a que obtém mais Rendimentos Operacionais (126,1) tendo melhorado a sua situação face à época anterior. A Porto SAD piorou a sua situação ao obter menores receitas com a UEFA, tendo obtido 75,9M€. A Sporting SAD melhorou a sua situação situando-se nos 68,8M€ de Rendimentos Operacionais.

As 3 SAD’s agravaram os seus Gastos Operacionais, e as rubricas FSE’s e Gastos com Pessoal representam a grande maioria dos Gastos dos 3 Grandes. A Porto SAD foi a que despendeu mais em Gastos com Pessoal (75,8M€) sendo seguida da Benfica SAD (61,5M€) e da Sporting SAD (48,9M€) que praticamente duplicou a verba despendida com os funcionários (dirigentes, treinadores, jogadores, etc)

A Benfica SAD foi a única a obter Resultados Operacionais positivos (+7,9M€) pelo facto de os Rendimentos Operacionais (126,1M€) terem superado os Gastos Operacionais (118,2M€). A Porto SAD agravou muito a sua situação (-48,6M€), com 75,9M€ de Rendimentos Operacionais e 124,5M€ de Custos Operacionais. A Sporting SAD também agravou a sua situação (-9,7M€) tendo obtido 68,8M€ de Rendimentos Operacionais e 78,5M€ de Gastos Operacionais.

Resultado com Transacções de Atletas:

Ao nível dos Rendimentos com Transacções de Atletas, a Porto SAD neste momento contabiliza o Valor “Bruto” das Vendas, incluindo o Valor Contabilístico dos jogadores transaccionados como “Gastos com Transacções de Atletas”, enquanto que a Benfica SAD e a Sporting SAD contabilizam as Mais-Valias obtidas com as Vendas, além dos Rendimentos com Empréstimos. Por norma as Mais-Valias (Valor “Líquido”) costumam ser a referência a contabilizar como Rendimentos, e deveria ser essa a metodologia a adoptar pelas 3 SAD’s. Com esta opção a Porto SAD inflaciona de forma “artificial” os seus Rendimentos Totais, sem expressão prática na actividade da SAD. Com essa metodologia diferente dos rivais, a Porto SAD inflacionou os Rendimentos com Atletas em 28,5M€ em 2014/2015 e em 31,6M€ em 2015/2016.

Analisando em concreto estas rubricas a Benfica SAD obteve 81,9M€ de Rendimentos com Atletas, a Porto SAD 75,4M€ de Rendimentos “Brutos” (tendo obtido 40,2M€ de Mais-Valias com alienações de Atletas, em relação aos 71,8M€ “Brutos” relativos às alienações), e a Sporting SAD obteve 7,7M€ de Rendimentos com a Transacções de Atletas. Apenas foram consideradas transacções entre 1 de Julho de 2015 a 30 de Junho de 2016, sendo que o exercício económico difere da época desportiva e do período de transferência que ocorre no verão.

Os investimentos totais realizados pelas 3 SAD’s, em Atletas, têm de ser Amortizados ao longo da duração dos contratos. Neste momento a SAD do Benfica tem maiores custos com Amortizações e Imparidades (36,8M€) pelo facto de ter investido mais em Atletas. A Porto SAD ficou-se pelos 31,6M€ e a Sporting SAD ficou-se pelos 9,4M€. Além das Amortizações é necessário abater aos Rendimentos com Atletas os Gastos com Transacções (custos com intermediação, fundos de solidariedade, etc) e no caso da Porto SAD ainda é preciso subtrair o valor contabilístico que os Atletas transaccionados tinham no Balanço no momento da sua venda (31,6M€). Nos Gastos com Transacções do Sporting foi considerada a despesa com a Doyen no caso Rojo (15,0M€), que é um Custo não recorrente.

No global, a Benfica SAD tem tido Resultados positivos com a Transacção de Atletas (+30,1M€) a Porto SAD obteve um resultado positivo de 7,1M€ e a Sporting SAD teve um resultado negativo -16,7M€. Entre 1 de Julho a 31 de Agosto foram realizadas transacções de Atletas que já não entraram no exercício económico de 2015/2016 e serão considerados no 1º Trimestre de 2016/2017.

Resultados Financeiros: 

A Benfica SAD apresenta Resultados Financeiros superiores (-17,5M€) em relação à Porto SAD (-15,2M€) e à Sporting SAD (-5,8M€) pelo facto de ter dívida financeira superior aos rivais. Por outro lado, o Sporting teve parte da dívida financeira que passou para VMOC’s (valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis) que na prática não pagam taxa de juro. Analisando os montantes da dívida financeira e dos VMOC’s pode-se considerar que a Sporting SAD deveria ter custos financeiros superiores, face às condições normais do mercado disponíveis para a generalidade das empresas.

Resultado Líquido do Período:

A Benfica SAD foi a única a obter lucros (+20,4) em 2015/2016, tendo melhorado a sua situação, enquanto que a Porto SAD e a Sporting SAD pioraram imenso a sua situação. A Porto SAD passou de lucros de 20,0M€ para prejuízos de -58,3M€. A Sporting SAD passou de lucros de 19,3M€ para prejuízos de -31,9M€.

Activo, Passivo, Capital Próprio:

Pelo facto de não se conhecer os Relatórios e Contas Consolidados, que consideram todo o Grupo Empresarial (Clube + Empresas), apenas é possível comparar a situação das 3 SAD’s.

A Benfica SAD tem o maior Activo (476,4M€) e Passivo (455,5M€) apresentando 20,9M€ de Capital Próprio Positivo. A Porto SAD tem 375,1M€ de Activo e 349,2M€ de Passivo, e um Capital Próprio de 25,9M€, no entanto considera 59,4M€ de Interesses sem controlo, pelo facto de consolidar 100% da EuroAntas (onde está o Estádio do Dragão) tendo o Porto “clube” uma participação de 53%. A Porto SAD detém 47% dessa entidade. Excluindo os interesses sem controlo a Porto SAD fica com -33,6M€ de Capital Próprio negativo. A Sporting SAD tem Capital Próprio negativo de -25,0M€ e ainda tem de se considerar 127,9M€ de VMOC’s, que até 2026 serão convertidos em Capital Social. Até essa situação acontecer, se a Sporting SAD pretender manter o controlo da sua SAD terá de gerar resultados nos próximos anos que permitam assumir a maioria dessas responsabilidades com os VMOC’s.

Conclusões Finais:

A Benfica SAD é neste momento a única SAD que tem a situação Operacional positiva, e é aconselhável que as 3 SAD’s procurem obter equilíbrio nesta rubrica, devido ao fair-play financeiro. Por outro lado, a UEFA recomenda que os clubes não gastem mais do que 70% dos Rendimentos Operacionais em Gastos com Pessoal.

A Benfica SAD é neste momento a única SAD que tem Capital Próprio positivo, atribuível aos accionistas da empresa-mãe (clube), e é importante que as 3 SAD’s melhorem consideravelmente os seus Capitais Próprios de forma a melhorar a sua Autonomia Financeira.

Por último, A Benfica SAD foi a única em 2015/2016 a obter lucros, e além do equilíbrio operacional, de forma a fazer face às Amortizações de Atletas, aos Gastos com as transacções e aos Resultados Financeiros, as 3 SAD’s terão de realizar todos os anos vendas consideráveis que possam gerar mais-valias que permitam cobrir esses custos que são considerados como custos não “operacionais”. As SAD’s de Benfica, Porto e Sporting continuarão a ter a necessidade de vender alguns dos melhores jogadores, em cada época, para corresponder aos seus Gastos Totais. Se isso não acontecer, verifica-se o que aconteceu à Porto SAD e à Sporting SAD, que apresentaram no total 90,2M€ de prejuízos numa única época.

ANEXO:

Comunicado 2015/2016 da Benfica SAD na CMVM

R&C 2015/2016 da Porto SAD, na CMVM

R&C 2015/2016 da Sporting SAD, na CMVM

* Análise realizada por Bruno Silva (InnovMark)

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