Artigo de Opinião: “A tecnologia e o RGPD” (Revista SPOT)

 

A tecnologia e o RGPD

Por Bruno Silva (Revista SPOT)

Recentemente a temática do RGPD – Regulamento Geral de Proteção de Dados ganhou um mediatismo acrescido e uma preocupação por parte das empresas que tentam respeitar os seus princípios de forma a evitar multas pesadas.

Importa referir que o RGPD incide sobre as informações pessoais que as organizações recolhem por parte dos seus clientes, colaboradores, parceiros, utilizadores, etc, sejam elas armazenadas em bases de dados digitais ou em arquivos em papel. Além disso, existe uma abrangência maior do conceito de dados pessoais ao se considerar além das informações pessoais habituais (nome, morada, telemóvel, e-mail, data de nascimento, etc) também os dados biométricos que são recolhidos pelas tecnologias que utilizamos (smartphones, smartwatches, etc) e que consistem em características fisiológicas (impressões digitais, reconhecimento pela íris ou pelo rosto, etc)  ou até dados comportamentais (voz, gestos corporais, hábitos diários que podem ser monitorizados, etc).

Do ponto de vista do marketing importa referir que existe alguma confusão quanto a esta temática e além da autorização para o armazenamento e gestão das informações pessoais deverá ser necessário um consentimento adicional explicito para a utilização dos dados pessoais para efeitos de marketing directo (criação de bases de dados e automatização de contactos através de sms’s, telemarketing, e-mails, etc). Além disso existe a possibilidade de a qualquer momento um ex-cliente solicitar o “esquecimento”, ou seja, a eliminação de todas as suas informações pessoais, com excepção dos dados incluídos nas Facturas, que devem ser armazenados durante alguns anos devido a imperativos legais.

O facto de uma pessoa, utilizador ou cliente, ceder os seus dados pessoais a uma organização não significa obrigatoriamente que esteja a dar autorização automática para ser contactado para fins de marketing directo. Nesse sentido o RGPD tal como a legislação do comércio electrónico, que está em vigor desde 2004, considera a temática das comunicações não solicitadas e a importância da autorização (opt-in) no âmbito do marketing directo e a facilitação da hipótese de remoção do consentimento a qualquer momento (opt-out). Nem sempre as empresas respeitavam estes princípios, no entanto agora com o RGPD esta temática ficou clarificada e reforçada.

 

Bruno Silva

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# Coach, Consultor e Formador nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo, desde 2009 na InnovMark, colaborando também com Instituições de Ensino Superior, Entidades de Consultoria e de Formação profissional, Associações Empresariais, onde se incluem projectos geridos pela AEP, IAPMEI, CAP, AIP, CCP, CTP, CIG, etc.

# Speaker / Orador, desde 2009, com mais de 100 presenças nos principais Congressos, Seminários, Workshops e Conferências nacionais e Feiras de Negócios nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo.

# Fundador e Community Manager, desde 2006, do Portal Inovação & Marketing, que conta actualmente com mais de 80.000 Subscritores, considerando todos os formatos de subscrição, sendo um dos maiores projectos deste género em Portugal.

# Cronista desde 2006 no Portal Inovação & Marketing, Revista Inovar-te, Portal AEP, Revista Brasileira de Administração, Revista Farmácia Distribuição, E-Go-Marketing, Revista Portugal Inovador (Jornal Público), RTP2, Marketing Farmacêutico e Revista SPOT.

# Fundador e Community Manager, desde 2013, do “Dish Mob Portugal” que promove o espírito “Dish Mob”, e que é um importante movimento nacional de promoção do networking e aceleração de ideias nas áreas da inovação e do empreendedorismo, com mais de 30 eventos já organizados.

– Licenciatura Pré-Bolonha em Gestão pela Universidade do Minho (2004).
– Pós-Graduação em Marketing pelo IPAM – Marketing School (2006).
– Pós-Graduação em Gestão da Tecnologia, Inovação e Conhecimento pela Universidade de Aveiro (2007)
– Curso de Especialização em Empreendedorismo de Base Tecnológica pela Universidade de Aveiro (2007)
– Formações Profissionais em Vendas, Excelência Pessoal, Inteligência Emocional e Criatividade, Gestão do Stress, Organização de Eventos, Comunicação em Público, E-Business, etc.

Artigo de Opinião: “Monitorizar a saúde” (Revista SPOT)

Monitorizar a saúde

Por Bruno Silva (Revista SPOT)

Uma das maiores empresas na área dos seguros dos EUA – John Hancock – lançou a iniciativa de fornecer descontos aos clientes que aceitem ter a sua actividade física e de saúde monitorizadas através de smartphones, smartwatches e/ou outras tecnologias de tracking. Esta é uma área muito sensível que tenta transformar os dados físicos e de saúde dos cidadãos ou dos clientes, que sempre foram considerados privados, como uma espécie de jogo social ou de cartão de descontos tal como tem sido adoptado no retalho e nos hipermercados, em troca de descontos.

Com a introdução do RGPD – Regulamento Geral de Protecção de Dados, e mesmo antes dessa legislação, os dados de saúde sempre foram considerados como uma das matérias mais sensíveis e mais protegidas. Neste momento as empresas e os estados têm dificuldade em manter a privacidade de informações relativas à justiça, finanças, entre outras matérias. Informações que deveriam ser sigilosas têm sido utilizadas como armas mediáticas de arremesso consoante os interesses em causa. Imaginemos o que será daqui a alguns anos o espaço público mediático com capas de jornais com manchetes relativas às performances físicas e de saúde de políticos, figuras públicas e demais personalidades e cidadãos, que por causa de alguns descontos ou por causa da imposição de certas entidades tenham de fornecer os seus dados mais sensíveis a entidades que facilmente podem ser vítimas de roubos de informação privada, ataques informáticos, e de outro tipo de estratégias que têm acontecido em diversos domínios da nossa sociedade.

Será que depois a comunicação social e os players de social media irão argumentar que o interesse público se sobrepõe ao interesse privado, como tem acontecido, por exemplo, com as constantes violações do segredo de justiça e roubos de informação privada? Será que, por exemplo, um empregador irá ter acesso aos dados físicos e de saúde dos funcionários, de uma forma constante e regular 24h*7? Saber, por exemplo, quantas calorias os funcionários consomem e gastam por dia? Quais as horas de sono?  Ou mais grave do que isso, por exemplo, poder tomar a decisão de dispensar ou influenciar de imediato funcionários devido ao surgimento de doenças graves ou ao surgimento de uma gravidez?

 

Bruno Silva

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# Coach, Consultor e Formador nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo, desde 2009 na InnovMark, colaborando também com Instituições de Ensino Superior, Entidades de Consultoria e de Formação profissional, Associações Empresariais, onde se incluem projectos geridos pela AEP, IAPMEI, CAP, AIP, CCP, CTP, CIG, etc.

# Speaker / Orador, desde 2009, com mais de 100 presenças nos principais Congressos, Seminários, Workshops e Conferências nacionais e Feiras de Negócios nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo.

# Fundador e Community Manager, desde 2006, do Portal Inovação & Marketing, que conta actualmente com mais de 80.000 Subscritores, considerando todos os formatos de subscrição, sendo um dos maiores projectos deste género em Portugal.

# Cronista desde 2006 no Portal Inovação & Marketing, Revista Inovar-te, Portal AEP, Revista Brasileira de Administração, Revista Farmácia Distribuição, E-Go-Marketing, Revista Portugal Inovador (Jornal Público), RTP2, Marketing Farmacêutico e Revista SPOT.

# Fundador e Community Manager, desde 2013, do “Dish Mob Portugal” que promove o espírito “Dish Mob”, e que é um importante movimento nacional de promoção do networking e aceleração de ideias nas áreas da inovação e do empreendedorismo, com mais de 30 eventos já organizados.

– Licenciatura Pré-Bolonha em Gestão pela Universidade do Minho (2004).
– Pós-Graduação em Marketing pelo IPAM – Marketing School (2006).
– Pós-Graduação em Gestão da Tecnologia, Inovação e Conhecimento pela Universidade de Aveiro (2007)
– Curso de Especialização em Empreendedorismo de Base Tecnológica pela Universidade de Aveiro (2007)
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Artigo de Opinião: “A revolução do E-commerce e da Indústria 4.0” (Revista SPOT)

 

A revolução do E-commerce e da Indústria 4.0

A nível mundial têm surgido algumas notícias que têm apanhado de surpresa as pessoas mais desatentas. A Toys”R”us pediu falência a nível internacional e embora as lojas em Portugal ainda estejam abertas, começou a vender as lojas de retalho a outros concorrentes em vários países. A H&M recentemente anunciou o fecho de 170 lojas a nível mundial, incuindo uma das lojas que detinha em Braga, na Avenida da Liberdade. Motivos? A concorrência é cada vez maior no retalho físico, no entanto também o e-commerce começa a ganhar cada vez mais adeptos em detrimento do retalho físico. E o sector da Moda e dos Brinquedos são 2 bons exemplos porque estão a ter uma adesão muito rápida ao nível das compras digitais.

Em termos globais mais de 10% de todas as compras B2C (por parte dos consumidores finais) já são efectuadas no digital (segundo a eMarketeer), e as previsões apontam para o o facto de nos EUA 1/6 das compras já serem realizadas através da internet. Em 2024 cerca de 1/3 das compras nos EUA serão via e-commerce, segundo a Deloitte. Recentemente a WD Partners foi mais optimista e anunciou que em 2024 50% das compras nos Estados Unidos poderão já ser realizadas via internet. Considero a previsão da WD Partners algo optimista no entanto, dentro de 6, 9 ou 12 anos a realidade é que o acesso generalizado à internet a nível mundial e a cada vez maior oferta de propostas de valor através do digital irá levar a que o digital passe a ser o método preferencial nas compras (independentemente do método de pagamento utilizado) e quem irá perder com essa mudança é o retalho tradicional.

Essa mudança já está a levar a que existam marcas tradicionais a apostar nos locais físicos como demonstração e locais de experiências e de interacção com as marcas, sendo o canal digital o canal preferencial para as encomendas. Por outro lado, já existem marcas que nasceram no ambiente digital, como as portuguesas Farfetch e Prozis ou até as gigantes Amazon e Alibaba, e que já começaram a estabelecer parcerias ou a lançar retalho presencial como um complemento de vendas ou como parceria para o lançamento do conceito do omnichannel, ou seja, da integração de todos os canais (digital, presencial, atendimento telefónico, etc).

A Farfetch está a começar a testar esse conceito com a Chanel, a Prozis tem desenvolvido parcerias com as principais marcas da grande distribuição nacional, a Amazon lançou e está a testar a loja física inteligente Amazon Go e o grupo asiático Alibaba também está a testar lojas físicas inteligentes que até permitem o pagamento por reconhecimento facial. A Tesla, no sector automóvel, é um bom exemplo da mudança de paradigma já que apesar de não ter lojas em muitos locais físicos, permite pré-encomendas através do digital e aposta muito em eventos e pop-up stores de demonstração.

Por fim, o retalho físico e os grossistas terão mais dificuldades neste paradigma já que outra grande tendência é a indústria 4.0, ou seja, as lojas físicas inteligentes e as lojas online vão estar mais interligadas com os produtores, sendo necessário que a produção passe a ser cada vez mais optimizada e adaptada em função da informação das vendas em tempo real a que os produtores terão acesso. Isso implicará uma mudança radical da indústria apostando cada vez mais na capacidade de adaptação, produção just-in-time, produção em pequenos lotes, personalização de produtos, capacidade logística nacional e internacional, e acima de tudo no lançamento constante de novas soluções, produtos e designs ao longo de cada ano, ou seja, capacidade de inovação!

 

Bruno Silva

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# Coach, Consultor e Formador nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo, desde 2009 na InnovMark, colaborando também com Instituições de Ensino Superior, Entidades de Consultoria e de Formação profissional, Associações Empresariais, onde se incluem projectos geridos pela AEP, IAPMEI, CAP, AIP, CCP, CTP, CIG, etc.

# Speaker / Orador, desde 2009, com mais de 100 presenças nos principais Congressos, Seminários, Workshops e Conferências nacionais e Feiras de Negócios nas áreas da Inovação, Marketing e Empreendedorismo.

# Fundador e Community Manager, desde 2006, do Portal Inovação & Marketing, que conta actualmente com mais de 80.000 Subscritores, considerando todos os formatos de subscrição, sendo um dos maiores projectos deste género em Portugal.

# Cronista desde 2006 no Portal Inovação & Marketing, Revista Inovar-te, Portal AEP, Revista Brasileira de Administração, Revista Farmácia Distribuição, E-Go-Marketing, Revista Portugal Inovador (Jornal Público), RTP2, Marketing Farmacêutico e Revista SPOT.

# Fundador e Community Manager, desde 2013, do “Dish Mob Portugal” que promove o espírito “Dish Mob”, e que é um importante movimento nacional de promoção do networking e aceleração de ideias nas áreas da inovação e do empreendedorismo, com mais de 30 eventos já organizados.

– Licenciatura Pré-Bolonha em Gestão pela Universidade do Minho (2004).
– Pós-Graduação em Marketing pelo IPAM – Marketing School (2006).
– Pós-Graduação em Gestão da Tecnologia, Inovação e Conhecimento pela Universidade de Aveiro (2007)
– Curso de Especialização em Empreendedorismo de Base Tecnológica pela Universidade de Aveiro (2007)
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Artigo de Opinião “O Insucesso ou Sucesso na Moda” (Revista SPOT)

O Insucesso ou Sucesso na Moda

Nas últimas semanas ficou-se a conhecer o colapso do grupo RICON que geria a marca GANT em Portugal. O Grupo RICON não só produzia para a marca a nível mundial como geria a rede de retalho da GANT em Portugal e muitas pessoas ficaram admiradas pelo colapso de um grupo que aparentemente tinha uma boa proposta de valor.

Os insucessos são uma boa forma de também se aprender sobre como alcançar o sucesso, e neste caso em particular existiram pelo menos 3 erros capitais:

1 – A Marca não era própria – A RICON não geria uma marca própria (GANT), como principal actividade. Fazia a gestão de uma marca internacional detida por terceiros, em Portugal, e nessas circunstâncias se a determinada altura existir a quebra do acordo de representação por vontade da marca internacional, o grupo nacional fica em maus lençóis. Isso tanto pode correr mal se a nível nacional for feita apenas produção quase exclusiva para uma marca internacional ou se fizer produção + retalho muito focados numa única marca internacional. Por exemplo, a Salvador Caeatano soube precaver-se a tempo e preparou a quebra de exclusividade de representação da Toyota em Portugal, algo que o Grupo RICON não soube fazer.

2 – Concentração da actividade num cliente principal – A RICON cometeu o mesmo erro estratégico na área da Moda que também aconteceu com a QIMONDA na área da tecnologia, que era há alguns anos o maior exportador nacional, e que apenas tinha um único cliente (Qimonda Alemanha) e um único produto (microprocessadores para computadores). Concentrar os ovos principais num único cesto ou em poucos cestos, mais cedo ou mais tarde pode correr mal, atendendo ao ritmo elevado de mudança.

3 – Diversificação errada – O Grupo RICON a determinada altura percebeu que tinha de diversificar e apostou na marca DECENIO, que em 2015 já tinha sido vendida à dona da Lion Of Porches pelo facto de o grupo na altura já se encontrar em dificuldades. Recentemente ficou a saber-se que a DECENIO nunca deu lucros ao longo da sua história. Por outro lado, os investimentos na SLN/BPN e Banco Privado entraram em colapso e na Everjets também enfrentou dificuldades com a polémica da adjudicação dos aviões de combate aos incêndios. SLN e Everjets, 2 áreas de negócio muito polémicas e que acabaram por demonstrar muitas ligações e influências políticas nas suas actividades operacionais e estratégicas. O investimento nos Centros da Porsche em Portugal foi um investimento que fez mais sentido do que as apostas erradas na banca e na aviação.

Para concluir, um negócio pode e deve trabalhar com a representação de marcas credíveis, ao mesmo tempo que deve também tentar lançar uma marca própria. Por outro lado, deve-se evitar que uma única marca represente a grande maioria do volume de negócios. Para finalizar, a diversificação apenas deve acontecer se um grupo empresarial dominar muito bem essas áreas de negócio tal como acontece com o “core business”. A diversificação para áreas que se domina mal ou que sejam áreas pouco transparentes e/ou com forte influência política aumenta o risco de insucesso de um grupo empresarial.

 

Bruno Silva

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# Cronista desde 2006 no Portal Inovação & Marketing, Revista Inovar-te, Portal AEP, Revista Brasileira de Administração, Revista Farmácia Distribuição, E-Go-Marketing, Revista Portugal Inovador (Jornal Público), RTP2, Marketing Farmacêutico e Revista SPOT.

# Fundador e Community Manager, desde 2013, do “Dish Mob Portugal” que promove o espírito “Dish Mob”, e que é um importante movimento nacional de promoção do networking e aceleração de ideias nas áreas da inovação e do empreendedorismo, com mais de 30 eventos já organizados.

– Licenciatura Pré-Bolonha em Gestão pela Universidade do Minho (2004).
– Pós-Graduação em Marketing pelo IPAM – Marketing School (2006).
– Pós-Graduação em Gestão da Tecnologia, Inovação e Conhecimento pela Universidade de Aveiro (2007)
– Curso de Especialização em Empreendedorismo de Base Tecnológica pela Universidade de Aveiro (2007)
– Formações Profissionais em Vendas, Excelência Pessoal, Inteligência Emocional e Criatividade, Gestão do Stress, Organização de Eventos, Comunicação em Público, E-Business, etc.

Artigo de Opinião “O Turismo e o Alojamento Local” (Revista SPOT)

 

O Turismo e o Alojamento Local

Por Bruno Silva

Artigo de Opinião publicado na Revista SPOT

Nos últimos anos temos assistido a um aumento considerável da importância do Turismo para a economia nacional. As companhias low-cost e sites como o Booking e Airbnb têm ajudado a que turistas de todo o mundo possam facilmente planear férias prolongadas ou de curta estadia em Portugal, e o aumento da oferta em termos de alojamento impulsionou as receitas do turismo de uma forma assinalável.

Nos últimos anos assistiu-se a um processo de legalização de muitos apartamentos e moradias dedicados ao Alojamento Local, principalmente situados nas cidades e regiões mais turísticas, onde Lisboa, Porto, Algarve, Madeira e Braga assumem um papel de destaque.

Recentemente ficou a saber-se que já são mais de 55 mil os espaços registados para alojamento local em Portugal, com receitas próximas dos 2 mil milhões de euros e que podem superar os 3,5 mil milhões de euros em 2020, segundo a AHRESP.  Esta tendência beneficia o comércio local, restauração, actividades culturais e de lazer, funcionando também como um fator de concorrência à Hotelaria e ao Alojamento Tradicional (para famílias).

Devido ao aumento considerável da oferta do alojamento local, que triplicou no espaço de 3 anos, e devido à dificuldade de arrendamento tradicional nos principais centros urbanos, tem-se assistido a um debate político com propostas que estão para estudo e que podem limitar a actividade deste tipo de actividade económica. Há quem defenda que os condomínios devem aprovar actividades de alojamento local nos prédios, existe quem defenda a limitação da actividade de alojamento local a 3 meses por ano, e há quem apresente outro tipo de propostas que estão neste momento em discussão.

Além dos Turistas, também é necessário ter em consideração que o alojamento a Estudantes é também um fenómeno importante a ter em consideração, e também nesse mercado tem-se assistido a um fenómeno inflacionista, tal como tem acontecido no Arrendamento a Famílias.

No geral, considero que devem existir mais regras em termos de acesso à actividade de alojamento local a turistas, através de licenciamentos mais exigentes, e também de uma maior taxação fiscal a essa actividade. Em paralelo, deve existir um desagravamento fiscal em relação ao alojamento tradicional, que tem sofrido aumentos de preços superiores a 10%, nos últimos 12 meses, nas principais cidades do país, com imóveis a ficarem “reservados” numa questão de horas ou de poucos dias, devido à oferta não chegar para a procura actual.

Considerando a região de Braga, e fazendo uma pesquisa online em Janeiro de 2018, pode-se verificar que se uma família quiser arrendar um apartamento tem cerca de 60 opções disponíveis em todo o Distrito de Braga num site da especialidade, como é o caso do Imovirtual. A mesma família se quiser escolher um local para umas mini-férias no Distrito de Braga pode encontrar mais de 300 opções disponíveis no Airbnb. Urge equilibrar e corrigir o mercado com medidas racionais e equilibradas, que continuem a fomentar o turismo e que protejam também as famílias que pretendem arrendar nos principais centros urbanos do país.

 

Bruno Silva

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# Fundador e Community Manager, desde 2013, do “Dish Mob Portugal” que promove o espírito “Dish Mob”, e que é um importante movimento nacional de promoção do networking e aceleração de ideias nas áreas da inovação e do empreendedorismo, com mais de 30 eventos já organizados.

– Licenciatura Pré-Bolonha em Gestão pela Universidade do Minho (2004).
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– Mestrado (Parte Curricular) em Gestão da Tecnologia, Inovação e Conhecimento pela Universidade de Aveiro (2007)
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