Os sete mitos da inovação na crise
April 15, 2009 by Inovação & Marketing
Filed under Artigo de Opinião, Featured
por Maximiliano Carlomagno e Felipe Ost Scherer
A crise como todos já sabemos pode ser momento de ameaças, mas também de oportunidades. No entanto, a maioria das empresas, conforme pesquisa recente da Mckinsey, tem optado por não mudar sua estratégia, optando por pequenos avanços nos produtos existentes com foco nos clientes atuais.
Mais do que isso, em tempos de crise muitas empresas parecem ter olhos apenas para reduções de custos e cortes de pessoal, esquecendo que as crises são passageiras e que muitas empresas se fortalecem nesse momento. O Google é um caso clássico de empresa que cresceu após o estouro da chamada “bolha das empresas pontocom”.
Uma série de mitos se consolida em tempos de crise propagados por “especialistas” que generalizam os problemas e também as soluções, esquecendo que a gestão é uma ciência contextual na qual cada situação apresenta diferentes desafios e enseja diferentes soluções.
Abaixo elencamos uma série de mitos sobre inovação em tempos de crise para que você e sua empresa possam responder adequadamente a atual crise e garantir a competitividade futura de seu negócio.
1. Crise é momento de alto risco: Com certeza, mas lembre-se de que o risco está diretamente associado ao nível de incerteza e a exposição que temos a tais incertezas. Ao invés de “ir com toda sede ao pote” a empresa pode adotar a Experimentação como forma de aprender rápido com baixo custo até que o nível de incerteza seja menor. Dessa forma é possível reduzir significativamente o risco sem deixar de explorar novos caminhos.
2. Crise é momento de olhar para dentro: Pelo contrário, nessa situação parceiros, fornecedores e até concorrentes estão buscando as mais variadas soluções. É hora de aplicar os conceitos de inovação aberta como forma de ampliar os recursos limitados de que a organização dispõe e reduzir o risco dos investimentos necessários.
3. Crise é momento de esquecer a inovação e focar no core business: Depende. Se sua empresa tem um core business controlado ou mesmo saturado esse é o melhor momento para ampliar as fronteiras do core business e inovar na criação de novos negócios. Contudo, se sua empresa tem um core business fragilizado ou sob ataque de terceiros é o momento de direcionar os investimentos de inovação para otimização do núcleo a partir de inovações de processo, organização, cadeia de fornecimento entre outros tipos de inovações disponíveis.
4. Crise é momento de muita análise antes do investimento: Pelo contrário. O nível de incerteza torna o processo de análise ex-ante quase um exercício de futurologia. A melhor forma de lidar com tal incerteza é investir pouco, aprender muito e ir refinando as apostas a medida que o nível de incerteza diminui. Para isso é preciso dominar a Experimentação, uma das principais fases do processo de inovação.
5. Crise é momento de não mudar os projetos de inovação: Também depende. Nesse caso é preciso analisar o seu portifólio de projetos e idéias de potencial inovador para tomar as melhores decisões. O primeiro passo é avaliar o portifolio que a empresa dispõe para encontrar o equilíbrio adequado entre os projetos de curto e longo prazo. Nesse momento pode ser o caso de acelerar projetos de retorno mais rápido sem deixar de investir em alguns grandes projetos de alto impacto.
6. Crise é momento de boca fechada: Crise é momento de comunicação interna intensa. Um dos produtos da crise, especialmente para gestão da inovação, é uma queda da confiança dos profissionais sobre a continuidade dos investimentos e apostas da empresa. Quanto mais comunicar o seu direcionamento maior será a confiança dos envolvidos.
7. Crise é hora de cortar investimentos de inovação: Um dos principais efeitos da crise é a redução de orçamento para os projetos de médio e longo prazo. Uma forma de garantir atenção para inovação é separar investimentos do orçamento especificamente para esse fim com espectro de 2 a 3 anos sem que possam ficar suscetíveis as flutuações de mercado. Outra alternativa é desenvolver novas fontes de recursos junto a clientes, parceiros, fornecedores e os organismos de fomento existentes.
Questione as soluções genéricas. Analise a realidade da sua empresa. Perceba como a inovação pode colocar sua empresa no caminho da competitividade futura. Se optar por inovar tenha cuidado com os Mitos. Em baixo deles podem haver oportunidades para melhorar a produtividade da inovação na crise.
Maximiliano Carlomagno é Diretor da Innoscience, mestre em administração e professor de graduação e MBA do IBGEN. Felipe Ost Scherer é Diretor da Innoscience, mestre em administração e professor de graduação da ESPM e MBA do IBGEN.
Don’t Let the Economy Kill Marketing Innovation
November 7, 2008 by Inovação & Marketing
Filed under Artigo de Opinião, Featured
“Innovation in marketing often falls victim to economic hardship because as budgets tighten, chief marketing officers focus on methods they know work. That’s a mistake, writes Joey Wilson, director of marketing strategy for Sapient.”
Joey Wilson sugere a focalização na cultura organizacional para a aposta na inovação, métricas focadas no cliente, e a consistência no Marketing Multi-canal.
Leia o artigo de opinião completo aqui
Professores: Não basta ter razão
March 10, 2008 by Inovação & Marketing
Filed under Artigo de Opinião
Por João César das Neves (Professor Universitário)
In Dn (10/03/08)
Os professores estão de novo em guerra. Como todos os antecessores, a senhora ministra da Educação é a pessoa mais enxovalhada e insultada do País. Ouvindo as queixas, tem de se dizer que em muitas coisas os professores têm razão. O ministério, mais uma vez, atrapalhou tudo. Mas isso não chega como justificação.
Todos os que gritam na televisão e escrevem enfurecidos são mestres, uma referência da juventude. Com que cara, no dia seguinte, vão enfrentar uma turma de alunos? Que respeito granjeiam depois de tais excessos? A coisa fica pior ao saber-se que um dos temas em discussão é a avaliação do desempenho. Deve ser divertido para um aluno, que é classificado pelos mesmos docentes sem poder protestar ou indignar–se, ver os seus tutores berrar de indignação por serem avaliados. Se o que os stores fazem é tomado como exemplo, os exames e pautas deste país passarão a ser muito mais coloridos e animados.
Os professores afirmam que são a favor da avaliação, mas contra esta avaliação (declaração da Fenprof de 15 /10/2007). Essa é há séculos precisamente a posição dos alunos. Todos os estudantes são favoráveis às notas e descontentes com a que receberam. Os testes são sempre difíceis, as datas sempre inconvenientes, os professores sempre injustos. Mas é preciso aguentar com cara alegre.

Agora, com o feiticeiro a sofrer o feitiço, as coisas podem mudar. Se houvesse vergonha, muitos teriam dificuldade em encarar a turma depois de tais atitudes públicas.
Até porque, na catadupa de razões, algumas deixam bastante a desejar. Quantas das críticas (arbitrariedade, influências, burocracia) não são plausíveis em todas as classificações, por exemplo na que eles fazem dos jovens? E, pior, a avaliação proposta é muito mais mansa que a dos alunos. Começa por uma ficha de auto-avaliação (que os educandos adorariam preencher), seguida da opinião do professor titular coordenador e do conselho executivo. O carinho com eles é muito superior ao deles com a malta.
Outra queixa pungente é a existência de quotas para acesso a professor titular, pelo que “só conseguirá sê-lo (por muito bom que seja) por morte ou aposentação do seu par” (ver Avaliação de desempenho. Pormenores… em www.fne.pt).
Mas essa é desde sempre a situação dos quadros académicos.
Na universidade, quando o departamento está cheio, só se acede a professor associado ou catedrático por saída de alguém. Dado o escandaloso excesso de professores no País, a quota é bem compreensível. Se a “motivação pela Excelência esbarra com um muro denominado ‘quota’ ” (loc. cit.), é porque não se sabe o que seja uma genuína vocação educativa.
Nas universidades, entretanto, a vida não está pacífica. O Ministério da Tecnologia, Ciência e Ensino Superior publicou um estudo sobre a empregabilidade dos vários cursos superiores. O presidente do Conselho de Reitores criticou fortemente essa medida a partir de certos reparos técnicos (Lusa, 28/Fev.). Também tem razão, porque empregabilidade é difícil de medir, embora mesmo mal calculado, esse indicador não deixe de ter significado.
A declaração termina com uma frase notável: “Serão empregadores muitas vezes com a quarta classe que vão decidir quais as políticas e quais as instituições válidas no ensino superior em Portugal?” (Lusa, 28/02/2008).
É verdade. Porque essas pessoas são a realidade, e os cursos válidos deste país têm de se defrontar com a realidade.
Os médicos tratam pessoas com a quarta classe, os advogados defendem- -nas, os engenheiros fazem-lhes casas. As pessoas com a quarta classe são os clientes e utentes que avaliam o que valem os profissionais formados nas instituições válidas. Se as tais instituições válidas não passam esse teste, onde está a sua validade?
Os empregadores com a quarta classe conhecem melhor a sua empresa e mercado que os catedráticos, até de Economia como eu. Quando não contratam os licenciados, eles lá sabem porquê.
Os professores são uma referência nacional. Têm de sair da torre de marfim das escolas e privilégios e enfrentar o mundo.
Comentário do I&M: Quando o país enfrenta o pior resultado de todo o mundo ocidental e civilizado ao nível da educação, com taxas de insucesso e de abandono escolar absolutamente gritantes e escandalosas, será que a classe de professores não deverá passar a ter objectivos e a ser avaliada pelos mesmos, além de terem a progressão na carreira indexada à avaliação obtida? O futuro do país está na educação da sua população, Sem um nível desenvolvido de conhecimento não existe política de “inovação” que aguente!
Prós e Contras & Analíticos
January 29, 2008 by Inovação & Marketing
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Tenho seguido com alguma atenção o Programa Prós e Contras, de hoje na RTP1, sobre as questões económicas do momento.
O debate tem sido interessante, e tem abordado questões importantes, contudo faz-me alguma confusão como é que a vertente mais analitíca da gestão ainda não tenha entendido que estamos a passar para uma nova sociedade.. a sociedade do conhecimento!
A diferença de rendimentos, a tal produtividade, a receita e outros “chavões” típicos dessa linhagem mais analítica, não são mais com que a diferença relativamente ao nível de conhecimento, tecnologia, inovação e empreendedorismo das pessoas, organizações, regiões e nações.
Portugal tem regredido nos últimos anos face a outros países porque estavamos e ainda estamos muito mal preparados para a tal sociedade do conhecimento que está a surgir e que valoriza como é natural o conhecimento e a sua rentabilização.
Não só temos pouco conhecimento em termos gerais, em comparação com os outros países, mesmo os países menos desenvolvidos que têm aderido à união europeia, como além disso existe uma enorme discrepância entre as classes mais ricas e mais pobres, que se resume à questão de haver uma diferença enorme de qualificações e conhecimentos detidos pelos dois estratos da sociedade.
Mais importante do que a baixa de impostos, aumento de apoios para habitação jovem, baixa nas taxas de juro, diminuição de prazos de pagamento, estabilização do déficit, aumento de dívida publica, etc. aquilo que eu gostaria de observar era as pessoas falarem mais sobre a necessidade de se lançar uma forte aposta no conhecimento, na investigação científica, na educação, na formação profissional, no desenvolvimento tecnológico, nas iniciativas inovadoras, no empreendedorismo!
A única intervenção de nível que mereceu rasgados aplausos da plateia foi a de um jovem que afirmou o seguinte “os erros dos governantes e dos empresários estão a ser pagos pelos trabalhadores.”
Infelizmente, pelo que verifiquei neste debate, certos erros e análises ainda persistem…
QREN, PME e SC&T: orgulho ou preconceito?
January 21, 2008 by Inovação & Marketing
Filed under Artigo de Opinião
O papel dos Centros Tecnológicos continua a ser fulcral para a dinamização de redes colectivas de desenvolvimento empresarial.
Por Gonçalo Lobo Xavier – Director executivo da Rede de Centros Tecnológicos de Portugal
À medida que se vai percebendo a estratégia que esteve por trás da definição da estrutura de apoios do QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional – ao tecido industrial e, concretamente, as políticas públicas de fomento da inovação e competitividade no contexto das PME, começa-se a ter ideias mais realistas sobre o assunto.
Na verdade, o que é transmitido, de forma mais ou menos institucional, dá espaço para acreditar que os decisores, influenciados ou não pelo facto de esta ser encarada como a “última oportunidade”, passaram para o programa os conceitos da Agenda de Lisboa e do Plano Tecnológico, enquanto ideia para o país. Parece, pois, haver mais empenho no combate ao chamado, “paradoxo europeu”, i.e., no combate à baixa ligação entre as empresas e a investigação, lacuna factual do nosso sistema de transferência de conhecimento.
Estes factos são observáveis se tivermos em conta que as várias medidas já conhecidas põem, ao que tudo indica de uma vez por todas, na ordem de prioridades, a ligação entre o conhecimento puro e as necessidades reais das empresas, sobretudo as PME.
Parece não existir espaço para projectos isolados, sem estratégia, e sem métrica de resultados ou meritocracia. Por outro lado, é valorizada, em definitivo, a lógica há tanto tempo defendida (e por muitos já praticada) da ligação em rede dos actores que, de facto, podem criar valor para os sectores: Associações Sectoriais, Universidades, Centros Tecnológicos e outras entidades do Sistema Científico e Tecnológico Nacional (SC&TN), fornecedores e empresas. Todos a trabalharem de forma relativamente estruturada e com o mesmo objectivo: criar valor para todos, traduzível em empregos e riqueza.
Mas fica a questão: o que representam para as PME os eixos já conhecidos, sobretudo na área da inovação?
O que parece claro é que, de forma mais assertiva, se tenta contrariar um facto patente nas empresas, que é o destas nem sempre poderem ter competências definidas, em parte porque as operações não estão estruturadas, em parte porque a diversidade de obrigações assim o impõe. É por isso que é comum ver nalgumas PME (e não generalizo…) engenheiros de produção a dividirem tarefas entre o “chão de fábrica” e o marketing ou financeiros com funções comerciais e na estratégia de inovação da empresa.
Passando este exemplo a uma outra dimensão, verifica-se que o QREN tem medidas que permitem ajudar cada instituição a fazer o que faz de melhor e em rede, havendo, assim, espaço para todos “estarem no que fazem e fazerem o que devem”.
O desafio é, pois, que os ‘players’ tenham a “humildade” de não quererem “ir a todas” as medidas ou apoios mas, antes, que usufruam do que existe e que melhor se aplica às suas necessidades em que cada um cumpre o seu papel, sem querer desempenhar o que deve ser de outros, como o engenheiro do exemplo acima.
As PME já perceberam que é com “inovação” que se tornam mais competitivas mas também já perceberam que a inovação não se decreta nem está estruturalmente ao alcance de todos. É nesse sentido que devem realizar o seu papel e devem exigir dos outros, dos que “devem fazer inovação”, um maior apoio e criatividade.
Daí ser relevante ter em conta as redes de inovação e de I&D já existentes e que funcionam bem, evitando a criação de novas estruturas mais ou menos paralelas às que actualmente existem. Neste sentido, o papel dos Centros Tecnológicos continua a ser fulcral para a dinamização de redes e de acções colectivas de desenvolvimento empresarial e para a criação de serviços pró-activos que estimulem a investigação e a inovação aplicada.
É também por isso que medidas como o “vale IDT”, as propostas colectivas (quem melhor que as associações sectoriais sabe melhor quais as necessidades colectivas de um sector?) e a aposta em Pólos de Competitividade (desde que verdadeiros…) são aparentemente desafios, à partida, votados ao sucesso.
Assim queiram os vários ‘players’ (sobretudo as PME), assim achem os decisores, assim faça o país.
Os Centros Tecnológicos serão sempre parte da solução. Com orgulho e sem o preconceito de servir as PME que representam, afinal, 97% do tecido empresarial português.
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Nota do I&M: O desenvolvimento do Sistema Nacional de Inovação é fundamental. Neste novo panorama a inovação em rede é vital para a competitividade das organizações, sendo necessário que as PME´s encarem este desafio com a devida importância que o tema merece. Para bem das nossas organizações, para bem do País.




