Inovação: Guru da economia criativa ensina a lucrar com novos mercados
Abril 30, 2012 by Inovação & Marketing
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O advento da internet trouxe dificuldades para a indústria de bens culturais. Como ganhar dinheiro quando o público está cada vez menos disposto a pagar por músicas e filmes – e tem cada vez mais formas de conseguir esses conteúdos de graça? Não por coincidência, foi em 2001, quando a crise da indústria fonográfica já começava a se afigurar, que o consultor britânico John Howkins criou o termo economia criativa (creative economy), que define formas inovadoras de negócios em torno de bens culturais.
O autor do best seller de 2001 The Creative Economy está no Brasil a convite do Serviço Social da Indústria (Sesi). No momento em que o Ministério da Cultura brasileiro começa a implantar uma secretaria específica para tratar do assunto, o autor falará sobre o tema em seminários entre hoje e o próximo dia 20, nas cidades de São Paulo, Campinas (SP) e Ribeirão Preto (SP).
Em entrevista exclusiva ao Terra, Howkins, hoje também integrante da BOP Consulting, explica o que é exatamente a economia criativa.
Terra – O que é economia criativa?
John Howkins – A economia criativa atua principalmente no setor de entretenimento, arte e negócios, mas é na verdade todo negócio que utiliza ideias para criar algo novo, principalmente quando essas ideias são protegidas pela legislação de direitos autorais (copyright).
Terra – E como isso acontece?
Howkins – Se olhar a internet, você vê uma profusão impressionante de novos negócios e modelos de negócios que parecem ter vindo de lugar nenhum. Eles usam bases de dados para o que eles querem, para servir às audiências, conectar as pessoas e dar a elas o que elas querem. A internet é uma plataforma incrivelmente inovadora e surpreendente, que dá muitas possibilidades para trabalhar.
Terra – Mas a internet também não significa um desafio para empresas continuarem lucrando com a propriedade intelectual?
Howkins – Se você olha os novos agregadores e redes sociais, você vê que eles são extraordinariamente cheios de imaginação e engenho no que se refere a formas de conectar as pessoas e de fazer dinheiro com isso, assim como formas de distribuir conteúdo de mídia.
Na China o microblog Weibo, por exemplo, tem ganhado muito dinheiro. A Apple é uma das empresas mais importantes do mundo hoje em parte por causa do iPad, que é completamente dependente da internet. O iTunes é um revendedor de muito sucesso de filmes e músicas que está ficando muito grande e muito rico, em um espaço de tempo impressionantemente curto.
Terra – Mas essas são grandes empresas estabelecidas. É possível para um pequeno e médio empreendedor ganhar dinheiro nesse setor?
Howkins – Pegue o exemplo dos roqueiros da Inglaterra. Eles estão fazendo apresentações, disponibilizando seus álbuns e vendendo mercadorias principalmente na internet. O preço para disponibilizar esses produtos e operar um site é muito baixo.
Com a internet, o mercado mudou, as pessoas podem ter acesso à música de graça e não querem pagar por ela. Você precisa contornar isso de alguma forma. Por isso, os shows hoje dão muito mais dinheiro.
Terra – Isso é uma vantagem para pequenos empresários?
Howkins – Isso é uma vantagem para qualquer um. Isso possibilita que pequenas empresas tenham presença no mercado, mas uma empresa ainda tem que trabalhar duro. O público não perdoa música ruim, mas se você tem um bom material e trabalha direito, você pode ganhar dinheiro. Mesmo que não venda sua música diretamente, isso significa apenas 20% da renda do mercado de música. A divulgação permite que você faça apresentações ao vivo e ganhe com mercadorias. Mesmo assim, ainda há sempre o dinheiro do copyright, com as vendas do iTunes.
Terra – E quais são as suas expectativas no Brasil?
Howkins – Eu adoro conhecer pessoas, principalmente que trabalham com música e arte no geral. Eu conheci pessoas em São Paulo que estão explorando essas ideias e que estão aparecendo com novas formas de crescer no mundo online.
Terra – Que tipo de ideias?
Howkins – É sempre uma questão de como você consegue dados das pessoas que estão acessando seu web site, e de trabalhar esses dados com algoritmos e descobrir formas de ganhar dinheiro com isso. Isso passa por prover a elas uma experiência da qual elas gostem.
Terra – Como alguém que nunca trabalhou nessa área pode começar?
Howkins – Trabalhar online é o mesmo que trabalhar com qualquer outra coisa. Você tem que vir com uma ideia mais bonita, mais elegante, rápida, melhor e mais interessante do que os outros já têm e focar em fazer o melhor com as suas habilidades particulares. Não é algo que você pode fazer em meio período. Você precisa ter paixão, se entregar com tudo o que você tem para ela.
Terra – E como financiar esse começo?
Howkins – Se você já tiver algum histórico de sucesso, você pode conseguir investidores que te ajudem, mas isso é muito raro. Se você tiver um plano de negócios sólido, uma equipe coesa e mostrar o que o seu projeto faria no mercado, você pode conseguir também financiamento.
Mas, no geral, você precisa no começo financiar seu projeto a partir das suas próprias vendas, o que não é muito diferente do que designers e artistas. Eles começam por baixo, começam a ganhar uma audiência e crescem.
O importante é que, não só no Brasil, mas na China, Inglaterra e em qualquer parte do mundo – principalmente nas cidades-, a quantidade de inovação tem crescido muito. E a quantidade de pessoas ganhando dinheiro com isso, também.
Fonte: Terra Brasil
Inovação: 6 tendências em negócios sustentáveis que não dá mais para ignorar
Abril 29, 2012 by Inovação & Marketing
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Gerar valor para os acionistas e a sociedade, no longo prazo, reduzindo ao mínimo o impacto sobre o meio ambiente, é o fio condutor dos negócios sustentáveis. Mas não basta sair por aí dizendo que sua empresa está comprometida com esses valores. É necessário transparência e estratégia para colocar a sustentabilidade no centro da gestão.
No intuito de mapear as principais iniciativas empresariais na revolução verde – e também seus desafios – a Ernst & Young, em parceria com o grupo GreenBiz, entrevistou 272 executivos de empresas com faturamento acima de um bilhão de dólares em 24 setores. A análise das respostas indicou seis tendências que estão pautando os negócios sustentáveis e a agenda dos líderes. Confira quais são elas.
1 – Ser verde gera vantagem competitiva
Um número crescente de grandes e médias empresas está empenhado em mudar a forma de fazer negócios. Prova disso é o aumento expressivo de publicações de Relatórios de Sustentabilidade, um dos instrumentos mais importantes para uma empresa prestar contas com a sociedade e o mercado a respeito de suas práticas socioambientais. Levantamento do site britânico CorporateRegister.com mostra que, em 1992, apenas 26 relatórios de sustentabilidade foram lançados contra 5.593 em 2010 – um crescimento superior a 20 mil por cento em menos de 20 anos.
Além de crescer em número, os relatórios também estão chamando a atenção de investidores e acionistas. Segundo o estudo do GreenBiz, 66% das empresas pesquisadas disseram ter sentido maior interesse do mercado nessas publicações. As questões que mais despertam curiosidade dizem respeito aos programas de eficiência energética e de redução de emissões.
2 – Diretores financeiros estão “vestindo a camisa”
Segundo a Ernst & Young, os diretores financeiros estão se envolvendo mais nos processos de avaliação, gestão e elaboração dos relatórios de sustentabilidade. Um em cada seis (13%) entrevistados disseram que o CFO (sigla em inglês de Chief Financial Officer) está “muito envolvido” com as atividades socioambientais da companhia, enquanto 52% afirmaram que esse profissional participa “um pouco”. Os entrevistados citaram a redução de custos operacionais (74%) e os riscos de gestão (61%) como dois dos três motores da agenda verde corporativa. O terceiro agente de transformação é o interesse e engajamento dos acionistas.
Outra tendência emergente nos negócios que vai envolver ainda mais os CFOs na sustentabilidade é a integração dos relatórios empresariais, que junta as informações financeiras da companhia com dados socioambientais e de governança corporativa. O formato chamado GRI (Global Reporting Initiative) é capitaneado por um grupo com sede na Europa, o Comitê Internacional para Relatórios Integrados, ou IIRC na sigla em inglês. General Motors, Accenture, Santander e Natura são algumas das empresas que seguem as diretrizes da GRI.
3 – Funcionários ajudam a reforçar a ecotorcida
Contrariando o senso comum de que as iniciativas sustentáveis de uma empresa são sempre motivadas por pressões de investidores, ONGs e consumidores, o estudo da Ernst & Young aponta os funcionários como figura-chave. Eles foram citados como o segundo grupo que mais influencia as decisões “verdes” dentro das companhias, atrás apenas dos clientes e à frente dos acionistas, políticos e ONGs.A pesquisa também mostra que as empresas que distribuem seus relatórios de sustentabilidade entre os funcionários acreditam que eles geralmente compartilham as informações e projetos com seus familiares, amigos e possíveis fornecedores, ajudando assim a divulgar as iniciativas.
No Brasil, um estudo específico voltado para a cadeia de suprimentos, realizado pelo Instituto Brasileiro de Supply Chain (Inbrasc), mostrou que 45% da demanda dos esforços em sustentabilidade nas empresas provém dos líderes, seguido da pressão dos clientes (29%) e das cobranças do governo (12%). A maioria dos entrevistados disse ainda que entre os motivos que direcionam os esforços verdes aparece, em primeiro lugar, a possibilidade de criar uma imagem positiva junto ao cliente, depois a chance de aumentar o valor da marca (67%) e, em terceiro, a oportunidade de reduzir custos (10%).
4 – Mudanças climáticas são dor de cabeça e oportunidade
As questões climáticas entraram para a lista de preocupações estratégicas de muitas empresas. Três quartos dos entrevistados disseram estabelecer metas de redução de emissões de gases efeito estufa, sendo que mais da metade admitiram reportá-las publicamente. Medir a pegada de carbono já conta como diferencial para uma empresa acessar mercados mais exigentes. Há cobrança também por parte da cadeia de abastecimento e de outros parceiros comerciais.
O uso de água no processo produtivo é outra preocupação crescente das empresas, tendo em vista que todos os negócios, de uma forma ou de outra, dependem desse recurso finito. Segundo o estudo, 80% dos entrevistados acreditam que a gestão da água afetará os negócios nos próximos cinco anos. A boa notícia é que a maior parte dos líderes enxergam nesse processo mais oportunidades do que riscos.
5 – É bom ficar de olho na dívida ecológica
Pense só: em 2030, a classe média mundial deverá ser formada por 4,9 bilhões de pessoas, ávidas por consumir produtos e serviços. A demanda por bens, só desse grupo, poderá passar dos atuais 21 trilhões para 56 trilhões de dólares. O efeito direto sobre o meio ambiente será um só: o aumento da pressão sobre o recursos naturais. No universo corporativo, escassez de recursos naturais é sinônimo de riscos para o negócio. Segundo o levantamento da Ernst & Young, 76% dos entrevistados disseram temer que suas empresas sejam afetadas pela escassez de recursos naturais nos próximos cinco anos. Para não serem pegos desprevenidos, os empresários precisam se antecipar aos cenários mais difíceis e investir em soluções e processos que otimizem a produção de forma a reduzir a demanda e dependência desses recursos.
6 – E, claro, não descuidar do visual
Não tem escapatória: cada vez mais, as companias terão que enfrentar uma enxurrada de questinamentos sobre a sustentabilidade que pregam. Segundo dados do Greenbiz, todos os anos as empresas recebem pelo menos 300 questionários “verdes” de clientes, grupos de investidores, ONGs, mídia, entre outas organizações. Alguns desses questionários resultam em rankings e classificações ou ainda abrem as portas para as empresas se inserirem em índices de ações de prestígio, como o Dow Jones Sustainability Index. Por isso, para os que já conquistaram reconhecimento, é sempre bom preservar a reputação “verde”. E para os que ainda ignoram essas tendências, o melhor é apressar o passo para não se queimar no futuro.
Fonte: Exame
Marketing: Vendas de ‘tablets’ vão duplicar com Apple a liderar
Abril 29, 2012 by Inovação & Marketing
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Até ao final do ano deverão ser vendidos, em todo o mundo, 118,9 milhões de ‘tablets’, o dobro do número registado em 2011.
Até ao final do ano deverão ser vendidos, em todo o mundo, 118,9 milhões de ‘tablets’, um valor que duplica os números registados em 2011, segundo a consultora Gartner. A liderar estará, mais uma vez, a Apple, a fabricante norte-americana que se consagrou líder com o sucesso de vendas iPad.
Apesar da quantidade de modelos com o sistema operativo móvel da Google – o Android – lançados nos últimos meses, a consultora atribui à plataforma iOS, da Appel, uma quota de mercado de 61,4%. Os ‘tablets’ com Android devem ficar com uma quota de 31,7%, enquanto o novo Windows 8 terá 4,1% do mercado.
Em vendas, a Apple deverá comercializar 73 milhões de ‘tablets’, cerca de 37,9 milhões serão dispositivos com Android e 4,9 milhões de unidades com a plataforma da Microsoft.
O domínio da marca da maçã deverá manter-se ao longo dos próximos quatro anos, apesar dos equipamentos com sistema operativo Android estarem a ganhar terreno. Mesmo assim, a Gartner prevê que, no final de 2016, a Apple tenha vendido 170 milhões de iPads, comparativamente a 138 milhões de ‘tablets’ Android.
Nesse mesmo ano, a Microsoft deverá vender cerca de 43,6 milhões de ‘tablets’ com o seu sistema operativo Windows 8, numa altura em que o número de “computadores de mão” comercializados em todo o mundo deverá alcançar os 369 milhões de unidades.
Fonte: Exame
Marketing: Trabalhadores portugueses são os quartos mais baratos da zona euro
Abril 29, 2012 by Inovação & Marketing
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Entre os 17 países da zona euro, só em três é que os trabalhadores são mais baratos do que em Portugal. Segundo os dados publicados hoje pelo Eurostat, os portugueses são dos que custam menos às empresas por cada hora trabalhada.
Em 2011, o Eurostat estima que esse custo tenha sido de 12,1 euros por hora em Portugal, o que representa subida muito ligeira face ao ano anterior (12 euros). Em 2009 e 2008, os custos de trabalho estavam nos 11,9 e 11,5 euros, respetivamente.
O cálculo deste indicador inclui não só a remuneração do trabalhador, como as contribuições que os empregadores são obrigados a fazer para a Segurança Social, através da Taxa Social Única (TSU). Esse valor é depois dividido pelas horas trabalhadas. Ou seja, a justificação para este valor pode estar nos salários baixos, bem como num elevado número de horas trabalhadas.
Os dados do Eurostat surgem numa altura em que Portugal atravesse um período de ajustamento, procurando aumentar a produtividade através de uma redução dos custos laborais. Uma estratégia que tem sido representada pela frase de Pedro Passos Coelho em outubro do ano passado: “Só saímos desta situação empobrecendo em termos relativos e até absolutos, porque o Produto Interno Bruto (PIB) já está a cair.”
Os 12,1 euros por hora que cada trabalhador custa ao seu empregador constituem menos de metade da média da zona euro. Entre os 17 países da moeda única, os trabalhadores custam em média 27,6 euros. Ou seja, mais do dobro do valor registado para Portugal. Os únicos países com custos de trabalho mais baixos que Portugal são Estónia (8,1), Eslováquia (8,4) e Malta (11,9). A Grécia não tem dados para 2011, mas em 2010 o valor era bem mais elevado que em Portugal (17,5 euros).
Os trabalhadores que custam mais por hora são os belgas (39,3 euros), os franceses (34,2), os luxemburgueses (33,7), os holandeses (31,1) e os alemães (30,1).
Fonte: Dinheiro Vivo
Inovação: Como alavancar a inovação?
Abril 28, 2012 by Inovação & Marketing
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O cenário de inovação no Brasil ainda está longe de ser positivo, principalmente se comparado ao status e à importância que a economia do país vem ganhando. A tendência, no entanto, é que este processo se acelere nos próximos anos, com investimentos de empresas locais, do Governo e de players internacionais que trazem para cá seus centros de desenvolvimento, como GE e IBM.
Em entrevista ao Mundo do Marketing, Luiz Serafim, Head de Marketing Corporativo da 3M do Brasil, fala sobre os pontos essenciais da inovação, além das principais dificuldades e obstáculos encontrados durante o processo. “A empresa precisa decidir muito bem o que quer da inovação, criar a sistemática e alocar os recursos para buscar o objetivo que foi definido”, destaca.
O executivo, que também é autor do livro “O Poder da Inovação – Como alavancar a inovação na sua empresa”, lançado pela editora Saraiva, aponta empresas como Natura, Petrobras e Grupo Pão de Açúcar como alguns dos cases de destaque no Brasil. Leia a entrevista na íntegra.
Como alavancar a inovação em uma empresa?
Luiz Serafim:A abordagem que temos e defendemos no livro é que a inovação faz parte de um sistema, um conjunto de crenças, valores e princípios que são cultivados, se complementam e interagem entre si. Em primeiro lugar, a empresa deve definir o que é inovação para ela, ter uma visão estratégica do que quer ver no futuro e alinhar os investimentos em pessoas, laboratório e tecnologia com base nisso.
Outro tópico vital é a capacitação e o desenvolvimento das lideranças da empresa. Todos os líderes da companhia devem atuar juntos, não somente o presidente.
Essas pessoas têm um papel fundamental para transformar suas áreas. Precisam ouvir a ideia de um funcionário e respeitá-la para alocar recursos e mostrar reconhecimento.
É preciso também criar redes de relacionamento, tanto internamente, para que um funcionário aprenda com o outro, quanto com clientes e parceiros. Para alavancar a inovação, é necessário ter essa dimensão de sistema e trabalhar vários tópicos que vão caminhar nesse sentido.
Existem ferramentas e metodologias no processo de inovação?
Luiz Serafim:Diria que são duas partes. A primeira é desde os brainstorms e técnicas para gerar ideias de forma inédita, original e diferenciada.
Há caminhos para captar a experiência do consumidor, com pesquisas antropológicas e etnográficas, por exemplo, roteiros que você tem que cumprir para poder ir ao ambiente e observar o momento do consumidor. Essas são algumas ferramentas na geração de ideias.
Há outro conjunto de ferramentas de gestão de projetos. Ao gerar um monte de ideias, criar um canal e fazer uma sessão de brainstorm, não se pode trabalhar em tudo.
Não há recurso, tempo ou objetivos mais específicos. É necessário primeiro alinhar as ideias a serem trabalhadas, criando um mecanismo de priorização.
Depois, em cada ponto de um projeto inovador, há ferramentas para tudo: protótipo, recursos para verifcar viabilidade, se é possível fabricar e distribuir com um determinado custo etc.
Em relação ao ambiente organizacional, que tipo de cultura a empresa precisa ter para inovar?
Luiz Serafim:Uma empresa inovadora tem que ser boa para se trabalhar e ter vários ambientes positivos para a inovação. O acesso às pessoas deve ser muito fácil.
Independentemente do nível hierárquico, os funcionários precisam chegar e falar com o presidente, o diretor, o gestor, ou qualquer um, de qualquer nível. A outra ideia é a cultura de uma empresa que dá autonomia para o funcionário, princípio que a 3M tem em sua história.
Acreditamos que aquele funcionário não é só um robô que executa tarefas, mas deve ser encorajado a tomar suas próprias iniciativas. Dizemos o caminho e ele quem vai buscar.
Estimulamos o crescimento da pessoa para ela buscar e se inspirar. Isso é altamente motivador para uma empresa inovadora. O passo seguinte, quando você estimula o empreendedorismo e incentiva as ideias, é reconhecer. Depois que a pessoa sai da zona de conforto e traz uma ideia que dá certo, é preciso reconhecer.
Outro tópico é a tolerância ao erro, presente na própria 3M e em empresas como o Google. Um ambiente de inovação tem que ter essa tolerância ao erro, que não deve ser confundida com tolerância à baixa performance.
Gerar um produto inovador, mesmo que use todas as ferramentas, muitas vezes não dá certo, não pega. Neste caso, temos que ter uma cultura que aprenda com esses erros e não traga punição, senão é criada uma cultura de aversão a risco e isso é gravíssimo para uma empresa. É preciso estimular o risco para que haja inovação.
Quais são os desafios, os obstáculos da inovação?
Luiz Serafim:A organização não definir o que quer da inovação é um obstáculo. Para ter sucesso, é necessário foco. Sem criar métricas e alocar recursos para buscar os objetivos traçados é fatal.
A empresa precisa decidir muito bem o que quer da inovação, criar a sistemática e alocar os recursos para buscar o objetivo que foi definido. Uma síndrome famosa é a de arrogância interna.
A organização se acha tão poderosa que ela fecha em si mesma e não busca olhar para fora, as tendências que estão acontecendo, as transformações na sociedade, na economia, e não vê as boas práticas que existem nos concorrentes e em outros setores para que possa se inspirar.
É caro inovar?
Luiz Serafim:Inovação deve ser vista como um investimento, não uma despesa. A primeira parte de trazer ideias pode quase não custar nada, porque se você tem funcionários motivados, engajados, eles podem dar várias ideias e o custo disso é pequeno, mas é necessário ter a ideia do investimento em pesquisa de mercado, observação, e isso custa alguma coisa.
Quando se está no desenvolvimento do projeto, na parte de gestão de processos, é preciso desenvolver um protótipo, investir na defesa da propriedade intelectual, registrar o produto, fazer pesquisas para validar o conceito com o consumidor. Isso custa dinheiro. Por isso é importante se você traçou muito bem o objetivo pela inovação para conseguir usar ferramentas que priorizam muito bem o que você quer.
Há especificidades para inovação?
Luiz Serafim:De forma geral, inovação se faz em qualquer lugar. Na área da agricultura, o Brasil, por exemplo, teve grande desenvolvimento de sementes, técnicas de cultivo, de combate a pragas.
Na indústria, há uma série de empresas. Hoje, na área de TI, há um grande pólo de desenvolvimento. Serviços investem em processos, logística, comunicação.
Você pode inovar, portanto, em qualquer campo. Agora, dentro de cada setor, eu diria que pode haver, sim, especificidades. Há empresas no Brasil que têm um foco muito grande na parte fabril, talvez o negócio delas não seja desenvolver produtos.
Existe hoje um entendimento de que inovação é muito mais que produto. Envolve dimensões de processos internos, relacionamento com os parceiros, comunicação, marca.
Uma empresa de consumo, como Skol e Havaianas, tem várias dimensões de inovação, focando muito em experiência do consumidor e marca. Empresas de serviços, como Starbucks, trabalham muito a dimensão de experiência do consumidor na loja.
Empresas industriais, como a Embraer, investem em seu produto, no caso os aviões, mas também nos processos de produção. E cada uma delas terá, provavelmente, investigações e desenvolvimentos tecnológicos diferentes.
Falando em cases da 3M, o que você destacaria de inovação na operação brasileira?
Luiz Serafim:A importância da inovação para a 3M global bate em todas as subsidiárias. Se a meta da 3M é que 40% das vendas até 2016 venham de novos produtos, a subsidiária brasileira tem que seguir esse mesmo objetivo e, portanto, investe e trabalha aqui para que isso aconteça.
Temos um esforço e um investimento muito grande em Marketing para conseguir capturar essas experiências que falamos lá no começo e um investimento grande para trazer esses insights e essas oportunidades para desenvolver nos nossos laboratórios.
Em 2008, fizemos um novo laboratório aqui no Brasil e estamos expandindo, trazendo equipamentos novos para acelerar o tempo de desenvolvimento dessas experiências e buscando o domínio que a 3M tem lá nos Estados Unidos em algumas plataformas de tecnologia para trazer para cá competências locais.
No Brasil, por exemplo, desenvolvemos uma parceria com a Fiat e conseguimos criar uma tecnologia que permitia, ao comprar o Novo Uno, personalizá-lo com a cara do consumidor.
Que empresas brasileiras você destacaria em inovação?
Luiz Serafim:Não podemos deixar de falar da Petrobras. A Natura certamente é uma empresa que tem processos muito interessantes de estruturação da organização, metodologias e métricas muito fortes.
Outra empresa é o Grupo Pão de Açúcar. Fiquei muito impressionado com o trabalho que eles fazem. Há muito inovação no processo de entender o consumidor e o comportamento de consumo, além da transformação dos pontos de venda.
O Grupo tem uma loja verde pioneira em Idaiatuba, além de um programa em parceria com a Unilever de coleta de embalagens e resíduos nas lojas, que comemorou 10 anos. A transformação do portfólio das lojas, tudo isso é inovação.
Como você vê, daqui para frente, a questão da inovação no Brasil?
Luiz Serafim:O cenário de inovação no Brasil, hoje, ainda não é dos mais positivos. Temos melhorado gradualmente, mas ainda é pouco condizente com o status e o tamanho da economia brasileira. Nossos produtos de exportação são basicamente primários. Existe ainda uma oportunidade muito grande.
Por outro lado, nunca houve como agora um envolvimento, um engajamento dos players, dos diversos atores da sociedade brasileira, em promover a inovação. Vemos desde iniciativas do Governo, como incentivos fiscais, até os empresários, com a Confederação Nacional das Indústrias, que tem um movimento que se chama Mobilização Empresarial pela Inovação, lançado há uns 2 anos.
Se formos para a academia, há universidades como USP e Unicamp, que encontram mecanismos de transferência tecnológica, onde a pesquisa se desenvolva e seja aplicada para trazer resultado na economia das empresas.
Há ainda ações de grandes companhias como a Vale, a própria Natura e a IBM, que está trazendo um laboratório para o Brasil. A GE também está construindo um centro importante no Rio de Janeiro. Grandes empresas globais escolheram o Brasil como um de seus pólos de desenvolvimento. Acredito em maior velocidade nos próximos anos.
Fonte: Exame



