Inovação: Quanto vale o investimento em ciência, tecnologia e inovação?
Junho 14, 2011 by Inovação & Marketing
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“Investimos 5% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento”; “aplicamos 1% da receita fiscal do estado em ciência e tecnologia”; “o país investe 1% de seu PIB em C&T”… Estas métricas são cada vez mais comuns e mais conhecidas no mundo da pesquisa científica e da inovação tecnológica, assim como no mundo da burocracia, do planejamento e das políticas públicas de CT&I.
Na outra ponta do esforço, métricas tais como: “publicamos 3% da produção científica mundial”; “depositamos 0,05% das patentes nos EUA”; 38% das empresas produziram inovação de produto e processo” etc, são métricas de output (resultado) igualmente frequentes e cada vez mais comuns.
Inputs e outputs vão e vêm e nos dão indicações aproximadas do quão importantes ou desimportantes estamos nos sistemas de CT&I. Acabam também sendo usados para avaliar a capacidade de desenvolvimento econômico e social: indicadores elevados dessas métricas são considerados “bons”, quase proxies de boa política, boa estratégia, bom caminho. E podem mesmo ser… ou não.
Agências de fomento, empresas, secretarias estaduais e ministérios compilam indicadores de input (esforço) que tendem cada vez mais a ser comparáveis aqui e lá fora. Isto é bom porque faz pouco tempo não tínhamos indicadores sistemáticos que permitissem aquilatar nosso esforço de pesquisa e de inovação. Nessa matéria, o Brasil avançou nos últimos 15 anos.
Não obstante os avanços, acostumamo-nos mal com indicadores típicos de esforço e outros que, no máximo, são proxies e acabam sendo usados como dados de impacto – e não o são. Impacto é uma medida diferente de resultado. Impacto é o efeito ou consequência que o resultado traz. Medi-lo não é tarefa simples, por vários motivos, sendo que um deles dificulta sobremaneira o trabalho: a atribuição da causalidade. Em outras palavras, como afirmar que o investimento em pesquisa foi mesmo responsável pelo faturamento de uma empresa, por uma inovação incremental (ou mesmo radical), pelo florescimento de um setor, pela introdução de uma política pública, pelo ganho na renda e, mais difícil ainda, pela qualidade de vida? Haja método para tanta correlação.
Um segundo desafio metodológico da mensuração de impactos é a chamada multidimensionalidade. Em breve, multidimensionalidade refere-se a mensurar impactos de mais de uma dimensão simultaneamente: econômica, social, ambiental, capacitação, político-institucional etc.. Esta é uma tendência dos métodos de avaliação em todo o mundo.
Finalmente, vale destacar um terceiro desafio, não menos importante, que é o de não ser trucidado pelos avaliados quando for mostrar os resultados do trabalho de avaliação. O antídoto, aqui, é o de fazer com que os avaliados e demais interessados participem do processo de construção do método, dando palpites, sugerindo indicadores e métricas e, sobretudo, acompanhando o trabalho para depois não dizer algo como “não era isto que deveria ter sido avaliado”, ou “como foi que vocês chegaram a esses números”. Comparado aos dois primeiros desafios, este último é mais fácil de resolver, mas jamais será totalmente superado, assim como os demais.
Em trabalhos recentes de avaliação de impactos, conduzidos pelo Grupo de Estudos sobre Organização da Pesquisa e da Inovação (Geopi)1, temos enfrentado, com ajuda de colegas de outras instituições, esses desafios metodológicos.
Dos trabalhos mais importantes destaca-se a avaliação dos programas da Fapesp. Por iniciativa do conselho administrativo da Fundação, um conjunto de estudos de impactos teve início em 2007. A ideia da Fapesp é justamente a de medir efetivamente impactos dos investimentos realizados em seus programas.
Os primeiros programas avaliados entre 2007 e 2009 foram o Pipe – que aporta recursos para pesquisadores em pequenas empresas visando finalização de desenvolvimentos tecnológicos direcionados à inovação; o Pite – que fomenta projetos de pesquisa entre empresas e instituições de ciência e tecnologia (ICTs), o Jovem Pesquisador – que estimula lideranças científicas em centros ou em temas emergentes; e o programa de Pesquisa em Políticas Públicas, cujo objetivo é o de aproximar organizações formuladoras e executoras de políticas da pesquisa acadêmica.
Estes quatro programas foram avaliados em termos de seu impacto em diferentes dimensões, usando dados secundários e primários, estes últimos baseados na construção e aplicação de questionários estruturados e dirigidos a diversos grupos envolvidos nos programas. Foram sete tipos de questionários para os quatro programas.
Os resultados da avaliação mostraram, de forma geral, impactos positivos em todas as dimensões. O trabalho, ao final, subsidiou reformulações nos programas buscando organizá-los para alcançarem maior impacto.
Os programas Pite e Pipe, por lidarem com empresas, foram avaliados, sobretudo, em seus aspectos de impacto na inovação e no fortalecimento das relações universidade empresa (Pite) e no crescimento e sucesso de pequenas empresas de base tecnológica (Pipe).
A avaliação de impactos permitiu conclusões muito interessantes, que a simples obtenção de dados de input e output não permitiria. Por exemplo, numa amostra de mais de duzentas empresas que se utilizaram de recursos financeiros do Pipe, as mais bem sucedidas em termos de geração de inovações e de crescimento do faturamento foram empresas que não estiveram incubadas, o coordenador do projeto tinha vínculo forte com a empresa (era sócio), boa parte delas eram spin-offs de outras experiências empreendedoras e não haviam sido criadas para concorrer aos recursos do Pipe. Eram também empresas que tinham mais vínculos com ICTs.
Ademais, a avaliação de custo benefício do investimento Fapesp no Pipe mostrou um retorno de cerca de 6 reais para cada real investido. São dados que permitem à Fapesp mensurar continuamente e redirecionar o programa sempre que necessário, alimentando, inclusive, os critérios de avaliação de mérito das propostas, já que a avaliação de impactos, sempre ex-post, alimenta as próximas avaliações de mérito, sempre ex-ante.
No caso do Pite, os projetos avaliados mostraram que o programa estimulou novas parcerias entre empresas e ICTs (cerca de 75% das empresas envolvidas passaram a se relacionar de forma mais intensa e frequente com ICTs). Mostrou ainda que 40% das empresas que não tinham como rotina estabelecer contato com ICTs passaram a fazê-lo, graças ao Pite. Por outro lado, o programa e seus projetos pouco alavancaram de inovação junto às empresas e as tecnologias resultantes dos projetos das pesquisas pouco foram incorporadas pelas empresas. Houve aumento de interesse por pesquisa, mas quase sempre executada nas ICTs e com baixo impacto junto ao core business das empresas envolvidas. Este ponto a Fapesp já vinha revisando quando começou a estimular o Pite na modalidade Convênio, que envolve, de forma mais efetiva, a participação das empresas na definição dos projetos e prioridades. De toda forma, a avaliação redirecionou alguns critérios do programa, de maneira a torná-lo mais efetivo em seus impactos.
A avaliação do programa Jovem Pesquisador (JP) trouxe revelações muito interessantes: a análise das variáveis utilizadas demonstrou que os JPs mais produtivos e que mais contribuíram para a criação de grupos emergentes de pesquisa foram aqueles localizados fora do eixo geográfico principal (fora de São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos e Piracicaba) e que estavam sediados em universidades privadas. Este resultado da avaliação foi um choque e revelou um aspecto que ninguém até então conhecia: há vida inteligente fora do mainstream institucional do estado, basta estimulá-la corretamente.
Finalmente, no programa de Políticas Públicas (PP), a avaliação de impactos mostrou que 84% dos projetos levaram a inovações em políticas públicas junto a 127 municípios do estado de São Paulo, sendo que os projetos originais estavam concentrados em apenas 23 municípios. Isto revelou que os projetos, embora de âmbito municipal, tinham spillovers para outros municípios, numa proporção de mais de 5 para 1.
Passada essa fase, estamos agora trabalhando na avaliação de mais 3 programas: o primeiro(não exatamente um programa) são as bolsas de iniciação científica, mestrado e doutorado que a Instituição concedeu nos últimos 15 anos. São cerca de 60 mil bolsas que estão sendo avaliadas segundo seu impacto na trajetória profissional do bolsista e segundo seu impacto na produção técnico-científica, acadêmica e de inovação. Trata-se de um esforço que complementa outro já concluído pela Fapesp há 3 anos, sob liderança do professor Geraldo Giovanni, do Instituto de Economia, da Unicamp. Na presente avaliação está sendo empregado método quasi-experimental, comparando trajetórias de bolsistas com não bolsistas em condições semelhantes. É um esforço e tanto da Fapesp para poder planejar e melhor informar a sociedade sobre os efeitos socioeconômicos de seus investimentos.
Os outros dois programas agora sob avaliação, o Biota e o programa de Equipamentos Multiusuários, estão sendo vistos também sob metodologia quasi-experimental, com grupos de controle e de tratamento.
As experiências em curso na Fapesp mostram que as avaliações de impacto trazem informação valiosa, seja para redirecionar e apoiar o planejamento da alocação de recursos da Fundação, seja para prestar contas à sociedade dos efeitos causados pelo investimento em ciência e tecnologia. A perspectiva que a Fapesp tem no curto prazo é a de tornar essas avaliações sistemáticas, ação que deverá ser implementada em breve.
Avaliar é uma necessidade que só faz valorizar o esforço e os resultados do fomento à pesquisa e à inovação. Faz-se mais e melhor conhecendo-se os impactos do investimento.
Fonte: Com Ciência
Marketing: Jogadores querem videogames menos violentos
Junho 13, 2011 by Inovação & Marketing
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Os videogames estão ficando mais amáveis e gentis conforme mulheres e jogadores de mais idade buscam diversão em uma forma de entretenimento dominada há longa data por garotos adolescentes determinados a vencer guerras em mundos fantásticos.
Embora jogos violentos como “Grand Theft Auto” e “Battlefield” continuem no topo da lista dos mais vendidos, jogos relaxantes, projetados para incentivar a calma e a tranquilidade estão emergindo para formar uma importante categoria no setor, que é frequentemente criticado por promover comportamentos negativos.
“Muitas pessoas que jogavam videogame no passado cresceram. Elas os veem agora como mais que um passatempo para crianças”, disse a doutoranda da Universidade de Ohio Jodi Whitaker, autora de um novo estudo sobre o efeito dos videogames sobre os jogadores.
“É algo que adultos podem fazer, então é mais socialmente aceitável que outras pessoas joguem também”.
A mudança aconteceu no momento em que produtoras de videogames passaram a buscar jogadores casuais que desejam uma diversão breve em seus celulares ou na Internet e podem investir 250 dólares ou mais em aparelhos como o PlayStation, da Sony, e o Xbox, da Microsoft.
O console Wii, da Nintendo, mais barato, com preço de cerca de 150 dólares, tem sido um dos maiores catalisadores da mudança, com seu foco em esportes, educação e comunidade. Com 88 milhões de unidades vendidas desde seu lançamento, em 2006, é comum encontrar o aparelho em cruzeiros e retiros para aposentados.
Os jogos do Wii são “mais como um exercício em equipe, como jogos de tabuleiro”, disse Jeff Ryan, autor de “Super Mario”, a ser lançado em agosto nos Estados Unidos pela Portfolio Penguin.
O efeito de jogos violentos não é surpreendente. O estudo de Whitaker mostra que jogos violentos deixam as pessoas mais agressivas e nervosas, enquanto os relaxantes deixam-nas mais amáveis, felizes e generosas.
“Então os jogos relaxantes não só diminuem o comportamento agressivo, mas também aumentam os comportamentos sociáveis e prestativos”, disse Brad Bushman, professor de comunicação e psicologia na Universidade de Ohio, que conduziu a pesquisa em parceria com Whitaker.
Fonte: Exame
Marketing: Itaú e Bradesco são as marcas mais valiosas do Brasil
Junho 13, 2011 by Inovação & Marketing
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A marca Itaú foi a mais valiosa do Brasil em 2010, estimada em R$ 24,296 bilhões, segundo ranking elaborado pela consultoria para estratégia e identidade de marcas Interbrand. Esse valor superou em 18% a avaliação realizada pela consultoria no ano passado. O Bradesco ficou na segunda colocação, com uma marca calculada em R$ 13,633 bilhões e uma valorização de 10% em relação ao ano passado.
A Petrobras ficou na terceira posição do ranking, com a marca avaliada em R$ 11,608 bilhões, montante 7% acima da medição do ano passado. Em seguida aparecem o Banco do Brasil e a Skol, com valores de marca, respectivamente, de R$ 11,309 bilhões (+8%) e R$ 7,277 bilhões (+10%).
Segundo o diretor-geral da Interbrand no Brasil, Alejandro Pinedo, essa foi a primeira vez em que as cinco primeiras marcas colocadas no ranking são as mesmas do ano anterior. Itaú, Bradesco, Petrobras, Banco do Brasil e Skol representaram quase 75% do valor total das 25 maiores marcas, que de forma conjunta estão avaliadas em R$ 92 bilhões.
“Essa concentração é um sinal de maturidade destas marcas e dos gestores responsáveis por elas. Sempre fomos um País com muitas empresas valiosas, mas poucas marcas valiosas. Aos poucos, este cenário vem mudando e as marcas brasileiras começam a atingir valores expressivos. Ainda assim lhes faltam consistência, visibilidade, reconhecimento e presença internacional para que possam figurar entre as marcas globais mais importantes”, afirmou.
Pinedo destacou que a valorização das marcas, sobretudo dos bancos, que lideram o ranking, reflete o desempenho econômico acima da média do Brasil em relação a outros países durante a crise financeira internacional. O diretor executivo de marketing do Itaú Unibanco, Fernando Chacon, ressaltou em nota que, em comparação a 2008, quando ocorreu a fusão com o Unibanco e marca Itaú estava avaliada em R$ 10,552 bilhões, houve uma valorização neste período de 130% da marca.
“O Itaú Unibanco está atento às mudanças do mundo e o impacto delas sobre seus negócios. Entendemos o banco como um agente transformador e essas mudanças apontam de forma contundente para a necessidade de diferenciação. Mas não a diferenciação pura e simples, e sim uma diferenciação que entregue relevância com otimismo e objetividade”, disse Chacon.
Na sequência do ranking de valor das marcas estão Natura (R$ 5,666 bilhões), Brahma (R$ 4,351 bilhões), Vale (R$ 2,656 bilhões), Antarctica (R$ 2,013 bilhões), Vivo (R$ 1,7 bilhão), Lojas Renner (R$ 835 milhões), Lojas Americanas (R$ 703 milhões), Embratel (R$ 619 milhões), Cielo (R$ 604 milhões), Cyrela (R$ 587 milhões), Caixa (R$ 563 milhões), Oi (R$ 514 milhões), Banrisul (R$ 501 milhões), Extra (R$ 496 milhões), Casas Bahia (R$ 447 milhões), Braskem (R$ 422 milhões), Pão de Açúcar (R$ 389 milhões), NET (R$ 323 milhões), Ponto Frio (R$ 232 milhões) e Hering (R$ 209 milhões).
Em termos de valorização da marca, no ano passado em relação a 2009, os maiores crescimentos porcentuais foram da Hering (+45%), Natura (+22%), Banrisul (+22%) e Brahma (+21%). Já as marcas Cielo, Caixa, Extra, Casas Bahia, Pão de Açúcar e Ponto Frio estrearam no ranking, enquanto a Vale retornou ao levantamento.
Para chegar aos resultados, a Interbrand avalia o desempenho financeiro das empresas, medindo a capacidade de captura da preferência dos consumidores e a probabilidade de geração de receitas futuras. Os critérios para o ingresso no levantamento são: ser originária do Brasil, estar listada na Bolsa de Valores ou publicar informações contábeis e financeiras, gerar lucro intangível, informar a receita individual das marcas e ser amplamente reconhecida nos seus principais mercados.
Fonte: Bonde
Inovação: Menino de 13 anos inventa campainha que liga para celular
Junho 13, 2011 by Inovação & Marketing
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Um garoto londrino de apenas 13 anos está fazendo fortuna com uma invenção que engana visitantes mal-intencionados que tocam a campainha de casas para verificar se elas estão vazias.
A Smart Bell, criada por Laurence Rook, é uma campainha que, quando acionada, liga para o celular do dono da casa, que pode falar com o estranho como se estivesse na residência. Até um chiado suave é colocado na ligação para parecer que o dono está realmente usando o interfone para falar com o possível ladrão.
Até agora, o garoto já vendeu 20.000 unidades para a empresa de telecomunicações Cmmtel Innovative e deve fechar um contrato, em breve, para vender outras 25.000 unidades para outra empresa ainda não divulgada. Se tudo der certo, ele vai faturar 250.000 libras (quase 650.000 reais) nos próximos meses.
Além de enganar os ladrões, o sistema ajuda os donos a orientar entregadores de encomendas sobre como e onde deixar as entregas. Na verdade, essa foi a intenção inicial de Laurence quando pensou na Smart Bell.
Ao ver sua mãe cansada de buscar nos postos do correio as encomendas que não foram entregues por não haver ninguém em casa, ele teve a ideia. Quando o projeto já estava em andamento, para participar de uma competição em sua escola, é que ele percebeu o potencial do sistema como item de segurança.
Com a ajuda da amiga da família, Paula Ward, Laurence contratou uma companhia chinesa para produzir a invenção em escala e, claro, patenteou a ideia. A Smart Bell deve chegar às lojas britânicas em setembro, por cerca de 40 libras, cada.
O dinheiro que o garoto vai ganhar com isso ainda não tem destino certo, mas uma parte vai ser guardada para ele pagar a faculdade. A outra parte deve ser gasta em diversão.
Fonte: Exame
Inovação: Inovação no Brasil x Inovação no Mundo
Junho 13, 2011 by Inovação & Marketing
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A Inovação tem sido destacada como a grande força propulsora e renovadora das empresas e, consequentemente, do crescimento sustentável das nações. O fato de “fazer diferente” é reconhecido por todos como algo que proporciona uma posição de destaque junto aos clientes, fornecedores e a sociedade, gerando, com isso, valor econômico para as organizações.
Mais do que uma intuição, inovar é a chave do crescimento sustentável. Um estudo realizado em 2005 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) com 72 mil empresas brasileiras com mais de dez funcionários demonstrou que, apesar destas empresas representarem apenas 1,7% da indústria, as que investem em inovação são responsáveis por 25,9% do faturamento industrial no Brasil, e por 13,2% do número total de empregos gerados no país.
Inovar, pragmaticamente, é transformar ideias novas em resultados sustentáveis, ou seja, consiste no justo equilíbrio entre criatividade e processos para geração de valor. Em termos de criatividade, o Brasil tem um diferencial oportuno em comparação com outros países. É, ao mesmo tempo, o país da biodiversidade e da etnodiversidade. É uma nação multicultural e linguisticamente unida – diferente da Europa, por exemplo -, em que o respeito e admiração da diferença, de forma geral, prevalecem. Por outro lado, o Brasil tem, também, um enorme desafio, que consiste na própria inserção efetiva desta diversidade no contexto organizacional. Para mencionar um único e bastante revelador dado, no Brasil, menos de 27% dos cientistas atualmente trabalham em projetos ligados a empresas. Nos Estados-Unidos, país que viu nascerem empresas como Cisco, Xerox, Google, Apple, Facebook, entre outras grandes marcas, 80% dos pesquisadores são inseridos em trabalhos empresariais. Na Correia do Sul, que acelerou de forma exemplar seu crescimento nas últimas duas gerações, este mesmo número é de 77%.
O Brasil tem um cenário empreendedor interessante que o coloca como país de destaque no mundo. Porém, este destaque está mais ligado ao tamanho da população empreendedora do que pelo planejamento empreendedor. Infelizmente por aqui essa atividade ainda acontece mais no sentido de um da necessidade e não de oportunidade, e com muito pouco conteúdo inovador.
Os dados da PINTEC (Pesquisa de Inovação Tecnológica) coletados pelo IBGE, demonstram que o protagonismo privado nos investimentos em inovação e, consequentemente, na cultura do risco como contrapartida da oportunidade, ainda é baixo. Efetivamente, a porcentagem total de investimentos privados em Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) no Brasil é de 0,55% do PIB, contra 1,87% nos Estados Unidos e 2,45% na Correia do Sul.
Naturalmente, não se deve utilizar de tais dados para autenticar que o país estacionou a inovação. No Paraná, por exemplo, tem se incentivado e verificado um esforço cada vez maior de desenvolvimento da inovação por meio de parcerias. Redes internas e externas de parceria, que decorrem do incentivo ao trabalho interno em rede (potencializado pela chamada web 2.0), e pela busca constante pela aproximação de empresa-empresa, universidade-empresa, ONG-empresa e governo-empresa, têm sido decisivas para o fortalecimento da cultura de empreendedorismo inovador no Estado.



