Marketing: Mistura de Facebook com Blogger, o Tumblr cresce em ritmo explosivo

Abril 6, 2011 by  
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David Karp criou a rede de blogs Tumblr em 2007. Na ocasião, ele tinha apenas 21 anos. Hoje, a plataforma de blogs que permite publicar fotos, vídeos e textos de forma descomplicada acumula 16 milhões de blogs e um total de 4 bilhões de posts. Em média, cerca de 30 milhões são publicados a cada dia.

O serviço também permite seguir outros usuários, num ambiente de rede social similar ao do Twitter e do Facebook. Com alguns cliques, é possível republicar ou curtir a publicação de um de seus contatos.

No Brasil, o número de usuários do Tumblr saltou de 253 mil, em fevereiro do ano passado, para 1,9 milhão, em fevereiro deste ano – um crescimento de 750%, segundo a comScore. No mesmo período, o número global de usuários do serviço cresceu 273% e atingiu 22,7 milhões de usuários.Em visualizações de páginas, o crescimento foi de 1.540%.

Nesta entrevista, Karp, que hoje ocupa o cargo de diretor de produto, fala dos diferenciais do serviço em relação aos concorrentes, do ato de bloggar via tablets e smartphones, das falhas frequentes que deixam o serviço fora do ar e da mania dos Tumblrs temáticos.

1 – O que diferencia o Tumblr de serviços de blogs como Blogger e do WordPress?

Eu adoro o WordPress e acho que é uma plataforma incrível, mas nós temos propostas diferentes. O Tumblr possui um tráfego maior de informação devido à sua característica de rede social. Por meio do nosso painel, o usuário acompanha o que outras pessoas estão publicando. Se ele gostar, pode curti-las ou republicá-las com apenas alguns cliques. É um volume maior de posts. Esse é o nosso diferencial.

2 – O fato de as pessoas usarem tablets e smartphones para blogar muda alguma coisa nos blogs?

Nós já temos aplicativos para iPhone, iPad e dispositivos que rodam o Android. Temos tido bons resultados nestas plataformas. Como o ato de bloggar no Tumblr muitas vezes é relacionado ao lazer, com a publicação de fotos e vídeos, os usuários também acessam o painel a partir desses dispositivos em momentos de descontração. É uma prática que vai crescer com a popularização dos smartphones e tablets.

3 – O Tumblr cresceu 1.540% em visualizações de páginas em 2010. É possível manter esse ritmo em 2011?

2010 foi um ano muito bom para o Tumblr. Não temos uma previsão de quanto vamos crescer em 2011. Se continuarmos no mesmo ritmo dos anos anteriores, estaremos indo bem.

4 – Como você avalia a atuação do Tumblr no mercado brasileiro?

Não tenho números específicos sobre o Brasil neste momento. Mas é um dos países onde mais crescemos. Temos uma equipe de profissionais, espalhados em países como Japão, França, Alemanha e Filipinas, que monitoram as tendências locais e estabelecem parcerias com os usuários que mais se destacam. Todos esses mercados têm recebido atenção especial de nosso escritório, incluindo o Brasil.

6 – O Tumblr recebeu 30 milhões de dólares das empresas Sequoia Capital, Spark Capital e Union Square Ventures. Como o dinheiro será aplicado?

Grande parte do dinheiro será investida para ampliar nossa infraestrutura. Eu já gostaria de ter feito essa ampliação seis meses atrás, mas não tínhamos os recursos. Alguns departamentos também estão com equipes menores do que deveriam. Vamos contratar novos designers. Além disso, vamos fazer novas traduções do serviço e continuar promovendo eventos para comunidades segmentadas, como músicos, fotógrafos e videomakers. São pessoas que geram conteúdo e informação para a plataforma.

7 – Nos últimos meses, o Tumblr tem tido interrupções frequentes. Como vocês têm trabalhado para corrigir o problema?

Nós últimos seis meses, nos temos enfrentado um crescimento exponencial para o qual nossa estrutura não estava preparada. Interessantemente, o Brasil é um dos principais desafios atualmente, porque tem se tornado um dos principais pontos de origem de tráfego. Em alguns momentos, até mesmo os picos têm dobrado ou triplicado de tamanho. Isso tem derrubado parte de nossos servidores. Nossa equipe está trabalhando para construir uma estrutura sólida que suporte todo esse crescimento. Isso acontece com todos serviços. Aconteceu com o Twitter e eles até inventaram aquele desenho da baleia para sinalizar as interrupções. As panes já diminuíram bastante e, em breve, serão completamente resolvidas.

8 – Os brasileiros criam blogs que fazem piadas com políticos, divulgam notícias e discutem a Copa do Mundo de 2014. Você conhece os Tumblrs brasileiros?

Sim, claro que conhecemos. Eles são muito populares e possuem um tipo de humor peculiar do brasileiro. E isso é algo que nós queremos entender melhor. Quais são os temas, como eles surgem, como se propagam etc. Todo esse fenômeno é algo novo. São essas pessoas que nós queremos na nossa comunidade.

Fonte: Exame

Marketing: 9 em cada 10 portugueses admitem mudar de terra pelo emprego certo

Abril 6, 2011 by  
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Os trabalhadores portugueses estão dispostos a mudar de país por um emprego mais atractivo, conclui o Kelly Global Workforce Index

Segundo o estudo, realizado pela empresa de recursos humanos Kelly Services sobre o futuro da mobilidade profissional agora divulgado, cerca de nove em cada dez portugueses inquiridos estariam dispostos a mudar para conseguirem o emprego certo. Dos 88% que estão preparados para mudar, 44% estão dispostos a deslocar-se dentro do País e outros 44% estão mesmo dispostos a mudar para outro país ou continente.

Em todas as gerações, a disponibilidade para mudar para o estrangeiro é grande: 46% dos inquiridos da geração Y (idades entre os 18-29), 45% dos Baby Boomers (idades entre os 50-65), e 42% da Geração X (idades entre os 30-49) dizem estar preparados para ir para estrangeiro em busca do emprego ideal. Os homens estão mais dispostos a mudar do que as mulheres.

“Em muitos sectores, existe um grande número de pessoas que está preparado para se deslocar dentro do próprio país ou para o estrangeiro no sentido de conseguir  trabalho”, diz Frank Weermeijer, director-geral da Kelly Services. “Numa conjuntura onde o mercado de talentos se está a tornar global, há uma crescente percepção de que muitas pessoas estão dispostas a mudar-se em virtude do trabalho, ao invés de esperar que o trabalho chegue até eles.”

De longe, o destino mais desejado para trabalhar é a Europa, nomeadamente para 55%, bem à frente da América do Norte, que colhe 12% das preferências, África, 11%, América do Sul 8%, Ásia-Pacífico 3%, e Médio Oriente 1%.

O desejo de mudar para outro continente é impulsionado pela vontade de viver a experiência e não pelo desejo de aí se fixar definitivamente. Com efeito, cerca de 50% afirmam estar preparados para permanecer no estrangeiro, no máximo, três anos.

“Muitas funções que antes eram específicas de uma região ou país podem ser agora realizadas em diversas partes do globo, o que significa que a mobilidade profissional se torna importante para a progressão na carreira. Nos sectores de rápido crescimento, tais como engenharia, ciências, financeiro e saúde, há uma procura global, que pode representar diversas recompensas pessoais e oportunidades de carreira para aqueles dispostos a viajar”, conclui Frank Weermeijer.

O principal obstáculo à mobilidade geográfica é a família e amigos, referida por 66% dos entrevistados, seguido pelo custo da mudança (16%), as barreiras linguísticas (9%), e as diferenças culturais (3%).

O estudo, realizado no início de Janeiro de 2011 junto de 97 000 pessoas em 30 países, das quais 9000 em Portugal, também revela que um número significativo de pessoas trabalha em “condições não convencionais”, que incluem a “realização de horas extras”, “múltiplos empregos”,” viver longe de casa” ou o “excesso de viagens”.

Mais de um quarto (29%) dos inquiridos trabalham no que consideram condições pouco convencionais, entre as quais as mais referidas são “a realização de horas extras”, que afecta 29% dos respondentes, seguido de “horários atípicos” (24%), “múltiplos empregos” (16%), “excesso de viagens” (10%), e “viver longe de casa” (9%).

Mais de um terço (43%) das pessoas que trabalham em condições não convencionais acham que só podem continuar a fazê-lo por mais um ano. No entanto, 35% dizem que podem sustentar essa situação “indefinidamente”.

 

O Kelly Global Workforce Index
A Kelly Services promove anualmente este estudo internacional, que tem como público-alvo a população activa e objectivo conhecer a opinião da população sobre variados temas relativos ao trabalho. Os temas abordados na edição deste ano foram os factores da escolha da carreira ou da progressão na carreira, o futuro da mobilidade profissional e empregadores reais/empregador ideal e redes sociais. O estudo revela as tendências da população de 30 países no que respeita a várias questões relacionadas com o trabalho. A análise dos dados foi realizada por uma empresa de estudos de mercado, a Galaxy Research, localizada em Sidney, na Austrália.

Fonte: Oje – o Jornal Económico

Marketing: Lisboa é um melhores destinos de turismo de negócios

Abril 6, 2011 by  
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A capital portuguesa foi incluída na lista dos dez melhores destinos de turismo de negócios de 2011 da cadeia “Great Hotels of the World”, anunciou hoje o Turismo de Lisboa.

Segundo um comunicado deste organismo, a cadeia internacional de hotéis e resorts de luxo destaca “o crescimento da reputação de Lisboa nesta área de negócio”, tendo em conta os “eventos de elevado perfil que acolheu nos últimos anos”.

A localização da cidade, as infraestruturas disponibilizadas, a relação qualidade/preço e o clima ameno são outras das mais-valias apontadas.

O turismo de negócios é precisamente um dos produtos turísticos estratégicos de Lisboa e representa mais de 40 por cento das receitas do sector na capital, tendo motivado nos últimos anos várias referências internacionais a Lisboa.

No “top” dez de destinos de negócios de 2011 da “Great Hotels of the World”, em cuja rede os hotéis ingressam apenas por convite, estão também a Croácia, África do Sul, Índia, Montenegro, Turquia, Grécia, Islândia, Sardenha (Itália) e Seul (Coreia do Sul).

Lisboa é responsável por 21 por cento do PIB atribuído à Economia do Turismo nacional e por 22 por cento das dormidas na hotelaria nacional, com 29 por cento das receitas deste sector.

O total de receitas globais geradas na Área Metropolitana de Lisboa pelo turismo ultrapassa os 492 milhões de euros.

Fonte: Diário de Notícias

Inovação: Mulheres empreendedoras criam mais serviços inovadores

Abril 6, 2011 by  
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Empresas inovadoras e de alto crescimento lideradas por mulheres têm mais facilidade em atrair e reter talentos do que as lideradas por homens, item considerado o maior entrave de qualquer empreendedor. Enquanto 57,7% dos homens declararam ter dificuldades na área de recursos humanos ou no processo produtivo, este porcentual cai para 34,6% entre as mulheres. O levantamento aponta, ainda, que elas trazem mais inovação ao setor de serviços, área que já responde por 60% do PIB do país e apresenta maior potencial de crescimento.

Estas e outras conclusões fazem parte de uma pesquisa conduzida pela ONG Endeavor com empreendedores inovadores de ambos os sexos, considerados exemplos a serem seguidos por outros empresários. Trata-se da primeira pesquisa no mundo sobre empreendedores inovadores que procura entender as diferenças entre os gêneros. A sondagem integra um estudo mais amplo da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), financiado pelo governo sueco. Além do Brasil e da Suécia, Suíça, Estados Unidos, Uganda e Jordânia também participam do estudo. Os resultados completos, com comparações entre os seis países, serão divulgados em julho de 2011.

Foram entrevistados empreendedores proprietários de companhias com alto crescimento e faturamento anual entre US$ 10 mil e US$ 10 milhões. Segundo o IBGE, essas empresas são aquelas que apresentam crescimento médio do pessoal ocupado assalariado maior de 20% de maneira sustentada por um período de 3 anos. As companhias têm, pelo menos, 10 funcionários assalariados.

“A escolha por essas empresas não foi aleatória. As empresas de alto crescimento representam apenas 1,7% dos negócios com empregados no Brasil, mas foram responsáveis pela criação de 57,4% dos empregos gerados entre 2005 e 2008, totalizando 2,9 milhões de novos postos de trabalho. É muito importante entender melhor como estes empreendedores alcançam este nível de sucesso para multiplicá-lo pelo Brasil”, diz Juliano Seabra, diretor de Educação, Pesquisa e Cultura da Endeavor.

Inovação em serviços

A pesquisa aponta ainda que, enquanto os homens se concentram em áreas mais tradicionais, como a indústria, e inovam principalmente na criação de produtos — o que gera níveis mais elevados de registro de patentes entre as empresas lideradas por eles —, as mulheres inovam no processo produtivo, assim como na implementação de novas técnicas de marketing, recursos humanos e integração da equipe. Consequentemente, suas inovações são menos visíveis, o que faz com que elas tenham mais dificuldade em obter financiamento privado e público. Segundo a pesquisa, 38,5% dos homens entrevistados obtiveram algum tipo de financiamento governamental para suas inovações, enquanto somente 19,2% das mulheres conquistaram o mesmo.

“É preciso que as instituições de fomento aprendam a lidar com o jeito diferente de fazer negócios das mulheres. Afinal, um levantamento recente do Global Entrepreneurship Monitor mostrou que 51% dos empreendedores brasileiros são do sexo feminino”, diz Amisha Miller, gerente de pesquisa da ONG. “Além disso, o IBGE aponta que o setor de serviços é o maior gerador de empregos formais do país. Em uma área em que as mulheres mais inovam, é natural esperar que elas tenham um potencial ainda maior de crescer rapidamente”, complementa.

Obstáculos sociais

As mulheres começam seus negócios com uma rede menor de contatos, o que diminui as oportunidades de interação com outros empresários e instituições de fomento e financiamento. Isso acontece principalmente porque as mulheres tendem a ter menos sócios — apenas 26% das empreendedoras tem 3 ou mais sócios, metade do índice encontrado entre homens. De acordo com Amisha, “ao contrário dos homens, que veem na abertura da empresa um objetivo e buscam sócios para atingi-lo, as mulheres se tornam empreendedoras mais “por acaso”, como consequência de sugestões recebidas ou expertise na área de atuação”

Algumas das entrevistadas se sentem discriminadas por bancos, governos e financiadores, em grau bem maior que os participantes homens. “Se eu fosse homem, talvez tivesse sido mais fácil me posicionar frente a instituições”, diz uma das mulheres ouvidas. Outra queixa feminina é a discriminação pela idade, reclamação ausente entre os homens, mesmo entre os que começaram quando jovens. “Muitos clientes não acreditavam que eu era a empresária, por causa da minha idade. Eles achavam que eu era representante de vendas”, diz outra entrevistada.

São muitas as diferenças, mas também há semelhanças. O percentual de homens e mulheres que acham, por exemplo, que a família é mais importante que o trabalho, é de 40% para cada sexo. Este comportamento é mais comum após o casamento, entre ambos os sexos. Homens e mulheres empreendedores também valorizam igualmente o crescimento de suas empresas, preferindo expandi-la geograficamente a diversificar os setores de atuação. Ambos obtêm informações de fontes variadas e valorizam a retenção de talentos.

A pesquisa

A Endeavor entrevistou 52 empreendedores entre setembro e novembro de 2010, sendo 26 homens e 26 mulheres, proprietários de companhias com alto crescimento. O levantamento teve como objetivo entender um segmento especifico da população formado pelos os empreendedores inovadores e entender como estas pessoas são bem-sucedidas e podem compartilhar suas lições com outros empreendedores.

Fonte: Zero Hora

Marketing: Um vilão para o Google?

Abril 6, 2011 by  
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Experimente digitar no Google: “cirurgia plástica”. Enter. Agora desça até o final da página e clique no número “3” para avançar. Os resultados em mecanismos de busca podem variar, mas é grande a chance de que somente aí, ao final da terceira página, você veja uma referência ao site de Ivo Pitanguy, uma das maiores autoridades mundiais no assunto. Nas primeiras posições da pesquisa, médicos mais jovens, muitos em início de carreira, são vistos apresentando seus serviços. Em quinto lugar, uma empresa oferece financiamento de cirurgias estéticas simples em até 36 vezes. Logo abaixo, uma clínica exibe promoções em lipoaspiração (“Tiramos mais uma gordurinha. Lipo Light por apenas 3 490 reais”). Pitanguy tem em seu currículo mais de 60 000 cirurgias plásticas. Ao todo,  é autor de cerca de 800 trabalhos científicos em publicações brasileiras e internacionais. Nada disso, porém, parece ter a menor importância para o sistema do Google.

Classificar o colosso de informações e de páginas da rede e dar sentido a ele é um trabalho nada simples — não por acaso, esse é também um dos negócios mais rentáveis do mundo online. Desde sempre, a qualidade dos resultados exibidos tem sido a razão imediata do sucesso ou do fracasso dos mecanismos de busca. O Google é a maior prova disso. Até o surgimento da empresa, no final dos anos 90, nenhum site havia sido capaz de apresentar resultados de pesquisas tão relevantes. Foi assim que a companhia fez fama, e foi assim também que deixou para trás concorrentes estabelecidos, como AltaVista e Yahoo! Não é novidade que, para entregar os resultados, o Google leve em conta centenas de fatores — a maioria deles guardada em segredo. Seu algoritmo é tido por especialistas como ágil e extremamente poderoso. Mas, com o passar dos anos, ele vem se tornando conhecido também por uma característica pouco elogiosa entre seus concorrentes: previsível.

É provável que ninguém hoje conheça tão bem as virtudes e o valor dessa constatação quanto o americano Richard Rosenblatt. Rosenblatt é o fundador da Demand Media, uma companhia de mídia online criada em 2006 na Califórnia, o coração das empresas americanas de internet. Há anos, empresas e indivíduos em todo o mundo têm lançado mão de estratégias conhecidas como “otimização para mecanismos de busca”, ou SEO, da sigla em inglês, para aumentar a visibilidade de suas páginas na rede. Rosenblatt fez mais: aprendeu tanto sobre a maneira como o Google classifica os resultados que passou a abastecer websites inteiros com conteúdo inspirado na demanda já existente de usuários nas pesquisas.

Tudo começa com outro algoritmo, este desenvolvido pela própria Demand Media, utilizado para avaliar a viabilidade de criação de peças editoriais. Passam pelo crivo assuntos que têm um volume mínimo de buscas mensais, competição baixa com outros sites e alto valor potencial gerado por cliques em peças publicitárias. Depois, o conteúdo produzido vai parar em sites como o eHow.com, o maior guia de “como fazer” do mundo. Mais de 1 milhão de artigos e vídeos compõem hoje o banco de dados do site — a grande maioria deles sempre bem posicionada em pesquisas no Google. Quem faz uma busca em inglês sobre o aprendizado de língua chinesa, por exemplo, tem grande chance de topar com um artigo do eHow intitulado “Como aprender chinês”, que se propõe a dar dicas sobre o domínio do idioma. Eis uma delas: mude-se para a China. Boa. Outra: assista a filmes chineses.

Fazendas de conteúdo

É com essa “qualidade” editorial que mais de 7 000 colaboradores da Demand Media ao redor do mundo despejam 100 000 artigos e vídeos na rede todos os meses. Parece piada? Pode ser. Mas, a despeito de acusações de poluir as buscas e de desenvolver “fazendas de conteúdo” (sites com conteúdo de baixa qualidade criados apenas para lucrar com cliques em anúncios), a Demand Media vai bem. Seus portais estão entre os mais acessados de língua inglesa e também entre os maiores beneficiários do programa de anúncios do próprio Google, o Adsense. E há mais gente acreditando no poder de saber aparecer bem em mecanismos de busca e de lucrar com conteúdo do nível de “Como tornar-se um gigolô” ou “Como tirar um jacaré de dentro de casa”. Depois do IPO, em janeiro, a Demand Media passou a ser avaliada em 1,5 bilhão de dólares. O fato, como era de esperar, pegou mal para o Google. Num esforço de zelar por sua reputação na rede, a empresa presidida por Larry Page realizou, há um mês, uma alteração em seu algoritmo. Pequenos ajustes no código responsável pelas buscas ocorrem a todo momento, mas nenhuma mudança havia sido tão alardeada até então. O objetivo foi justamente minar o desempenho de fazendas de conteúdo e de outros sites que utilizam táticas duvidosas para subir na classificação das pesquisas. “As técnicas sujas vão contra a missão do Google de organizar a informação do mundo”, diz Doug Pierce, especialista em busca da consultoria Blue Fountain Media. “Não deveria ser surpresa que a empresa queira agir para manter a relevância e a participação de mercado que possui.” O efeito final da revisão nos códigos e nos cálculos ainda levará tempo para ser digerido. Mas há consenso de que aventuras de empresas como a Demand Media já serviram, pelo menos, para uma coisa: escancarar ao mundo imperfeições e vulnerabilidades do algoritmo do Google.

Links

Ninguém sabe ao certo quais foram, exatamente, os critérios afetados pelas revisões. Nos últimos anos, um dos critérios, crucial no processo, talvez tenha se tornado conhecido demais por empresas que querem melhorar sua visibilidade na rede: os links que os sites estabelecem entre si. Como todos os sites, a página de Pitanguy, por exemplo, cresce nos resultados à medida que outros sites apontam links para ela. Quanto mais, melhor — é assim, grosso modo, que o Google mede a popularidade na rede. Se vier de um site com autoridade no assunto, melhor. Mas mesmo páginas que não possuem nenhuma relação com o tema podem produzir efeito semelhante — e é aí que existe hoje, na prática, uma avenida aberta para as estratégias consideradas “sujas” e artificiais. Contratar empresas e indivíduos para estabelecer dezenas, centenas, milhares de links artificiais para determinado site é uma estratégia comum hoje em SEO. Alguns dos concorrentes de Pitanguy possuem links vindos de mais de 300 sites. Muitos deles estão de alguma forma relacionados a saúde. Outros não. Um site húngaro especializado em celebridades, por exemplo, exibe hoje um link com as palavras “cirurgia plástica” apontando para uma das clínicas bem posicionadas nas buscas brasileiras. Uma pesquisa rápida revela que outros sites bem colocados no tema recebem links de páginas sobre a revolução da web na Rússia, acampamentos ou papéis de parede para iPhone. O problema, obviamente, não são os húngaros nem os russos. É sobretudo essa maneira de medir relevância, tão estranha para padrões humanos, que está sendo revisada.

Nem tudo no mundo de SEO pode ser considerado trapaça. A linha entre o bem e o mal, no entanto, é tênue. Muitas técnicas simples, como incluir a palavra-chave de um assunto no título de uma página, podem inclusive ajudar na qualidade geral das buscas na rede. Outras, em geral envolvendo húngaros e sites não relacionados, são complexas e prejudicam os usuários. “Um mecanismo de buscas perfeito é apenas um ideal”, diz Eli Goodman, analista de pesquisas da ComScore. “Haverá sempre lugar para SEO.”

Fonte: Exame

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